Você é a favor da Lava Jato? Se sim, leia esse artigo

patyPriscylla Silva

Faz-se necessário essa pergunta diante do medo de que a lava jato chegue ao fim sem o cumprimento de metas com toda a equipe de investigadores se sentindo ameaçada pelo parlamento. Mas é necessário refrescar a memória recente desse ano que, no mínimo, foi estranho para a politica brasileira.

A equipe da força tarefa da Lava Jato é composta por diversos membros do MPF, os mais conhecidos são Moro (Juiz Federal) e Dallagnol (Procurador Federal), mas existem tantos outros nomes importantes que o destaque é menor, esse é o caso do Carlos Fernando dos Santos Lima (Procurador Federal).

A lava Jato começou em 2009 com a investigação de crimes de lavagem de recursos relacionados ao ex-deputado federal José Janene, em Londrina, no Paraná. Além do ex-deputado, estavam envolvidos nos crimes os doleiros Alberto Youssef e Carlos Habib Chater.

Até aqui, tudo “OK”, mas vamos à pergunta: Onde vocês estavam em maio de 2016? No final de março deste ano, antes de eclodir um escândalo feito por gravações com permissão da Justiça, o Procurador da República, Carlos Fernando dos Santos Lima (da Lava jato), lembrou que em governos anteriores o trabalho de abafar investigações era corriqueiro e que antigos governos controlavam as instituições (matéria de capa do Estadão no dia 30 de março). Nas palavras do próprio Procurador “Aqui temos um ponto positivo que os governos investigados do PT têm a seu favor. Boa parte da independência atual do Ministério Público e da capacidade técnica da Polícia Federal decorre de uma não intervenção do poder político, fato que tem que ser reconhecido. Os governos anteriores realmente mantinham o controle das instituições, mas esperamos que isso esteja superado”. Esse foi o recado dado em um cenário pós-Dilma.




Dois meses depois dessa declaração, que mostra que Dilma nunca interferiu nas investigações, vem uma bomba do novo governo (TEMER) que leva à queda de um dos principais Ministros do Governo do PMDB, Romero Jucá, que teve uma conversa com Sérgio Machado gravada.

Na gravação, que ocorreu em março, mas só foi disponibilizada em maio, Jucá (PMDB-RR) sugeriu ao ex-presidente da Transpetro uma “MUDANÇA” no governo federal para estancar a sangria representada pela operação Lava Jato. Essas gravações ocorreram semanas antes da famigerada votação na Câmara Federal do impeachment da Dilma comandada pelo então deputado Eduardo Cunha (que nas gravações era citado na parte que dizia “Temer é Cunha”).

Antes da fala sobre estancar a “Sangria” que a Lava Jato representa, o próprio Machado comenta que novas delações na operação não deixariam “pedra sobre pedra”.

Aqui fica alguns questionamentos: após essa gravação com um dos braços direito do Temer, que expõe claramente que era necessária uma mudança para barrar a lava jato, já que com Dilma, como bem mencionou o procurador, “não havia interferência”, por que nenhum dos representantes do MPF se sentiram ameaçados? Nem a população que aprova em sua maioria as investigações? Nem mesmo Moro, Dallagnol e outros se sentiram acuados ou ameaçados com o esquema de barrar a lava jato? Por que Moro ou outro representante do MPF não se pronunciou sobre esse novo esquema, nem de forma extraoficial?

Não estava nítido nessas gravações de março que era necessário acabar com a Lava Jato? Todo esse medo que fez a equipe da operação anunciar que “renunciarão” ao caso agora em dezembro é muito desproporcional diante das gravações de março que vieram a publico em maio. Será que nem mesmo esses homens, mestres na arte de investigação, não perceberam em março que a ideia desse governo era BARRAR A LAVA JATO?

Qual foi sua reação diante dessas gravações?

Priscylla Silva é estudante de geografia na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul e militante de esquerda.