Veteranos da UFPB colocaram placas com a frase “miss estupra” em calouras durante trote

Um suposto caso de apologia ao estupro durante um trote de estudantes universitários está sendo investigado pela Comissão de Direitos Humanos da UFPB. De acordo com a denúncia, feita por uma estudante da instituição, alguns estudantes veteranos estariam forçando as alunas novatas a usarem uma placa com a frase “miss estupra”. Em reunião realizada na manhã desta terça-feira (19), entre a Comissão, a direção do Centro de Tecnologia e a coordenação do curso de engenharia química, foi feito um requerimento formal pedindo uma sindicância para investigar a realização do trote e apologia ao estupro.

Segundo o professor José Batista de Melo Neto, membro permanente da Comissão de Direitos Humanos da UFPB, a informação que chegou à comissão foi de que o trote teria sido feito por estudantes do curso de engenharia química e que a sindicância deverá apurar a identidade e o curso dos estudantes.

O coordenador do curso de engenharia química, Alfredo Garnica, afirmou, no entanto, que os alunos ddo curso realizaram o trote na segunda-feira (18), data posterior à denúncia, e que não estão envolvidos no caso.

Além disso, a Comissão de Direitos Humanos decidiu junto aos presentes na reunião que será ministrada uma palestra para os estudantes dos cursos que compõem o Centro de Tecnologia da Universidade Federal da Paraíba para discutir e conscientizar sobre a cultura de estupro. A Comissão é formada por onze membros efetivos e oito colaboradores e é composta por professores efetivos, substitutos e discientes. Ela foi instaurada formalmente ao gabinete da reitoria desde 1990.

O trote teria acontecido na sexta-feira (15), e um professor integrante do núcleo denunciou a prática por meio das redes sociais. Segundo o professor Estêvão Palitot, que atua no Departamento de Ciências Sociais do campus IV, em Rio Tinto, Litoral Norte, ele estava indo até o Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos da UFPB quando viu os professores debatendo o assunto. “A aluna conseguiu pegar a placa e levou para denunciar e provar o acontecimento. Eu fiquei indignado com a situação e resolvi postar o material para que as pessoas se conscientizassem sobre a situação”, explicou.

Palitot explicou que o debate sobre os trotes universitários precisa ser levado para o campo acadêmico. “A questão do trote, em si, já é algo problemático e precisa ser discutido em nível acadêmico, inclusive. O que vemos são muitos casos de violência, não só física, mas também simbólica, como é neste caso, e isso é algo que não podemos deixar passar. Este tipo de prática, da cultura do estupro, deve ser enfrentada”, disse.

G1


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