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Uma nova abordagem ao olhar do trabalhador

Como sindicalista, o que mais tem me incomodado ultimamente é a maneira que alguns sindicalistas têm tratado os trabalhadores ao longo desses últimos anos. O trabalhador brasileiro sempre foi explorado, assediado e desrespeitado em seu ambiente de trabalho.

Conversando com diversos trabalhadores, de diversas áreas de pequenas, médias e grandes empresas, ouço sempre a mesma reclamação, de que os direitos trabalhistas estão sendo suprimidos, além da ausência de sindicalistas fazendo o trabalho de base em frente às portas das fábricas. Como exemplo vou citar dois casos:

Um dias desses, conversando com um trabalhador o mesmo me disse sobre uma advertência que ele tinha levado de seu patrão: ”Eu cheguei 5 minutos atrasado e o patrão não permitiu a minha entrada na empresa. No dia seguinte além de levar a advertência ainda fui informado de que aquele dia seria descontado em meu contracheque” A CLT prevê que, em seu art.58 § 1o Não serão descontadas como jornada extraordinária as variações de horário no registro de ponto não excedentes de cinco minutos, observado o limite máximo de dez minutos diários (Parágrafo incluído pela Lei n°10.243, de 19.06.2001. Isso quer dizer que as variações de até dez minutos diários não são computadas, contudo, caso a variação ultrapasse esse limite, o cômputo se dará integralmente, como se não houvesse qualquer tolerância. Ou seja o trabalhador dessa empresa foi punido duas vezes, e de forma injusta, por um desrespeito de seu empregador à CLT. Em outro caso, uma trabalhador me disse que ao chegar ao trabalho às 6 da manhã, seu empregador só permite que tome o café da manha às 8 horas, ou seja ela trabalha duas horas sem se alimentar. Quando perguntei a eles o por que deles não fazerem a denuncia em seus respectivos sindicatos, a resposta foi a mesma: “Se eu fizer a denuncia meu patrão ficará sabendo”.

Alguém duvida que isso acontece????  Isso não é papel de um dirigente sindical, muito pelo contrario, cabe ao dirigente defender o trabalhador dessas arbitrariedades que acontece em seu ambiente de trabalho. E cabe a nós sindicalistas nos apropriar do sentimento de que somos ferramentas transformação da classe trabalhadora, não somente se preocupando com bons acordos coletivos mas também entendendo o dia a dia do trabalhador, e como é sua relação com a sociedade, com sua família. Precisamos mudar nosso olhar.

E depois ninguém entende a causa dos insucessos em mobilizar a classe trabalhadora contra os retrocessos impostos por esse governo golpista.

Wallace Ouverney é Petroleiro, Dirigente Sindical do Sindipetro-ES desde 2015, e Dirigente Estadual CTB-ES.


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