Uma insólita história que se repete?

No golpe de 64 havia duas correntes nas Forças Armadas, a dos chamados linha branda, formada por oficiais superiores mais politizados, embora conservadores, ligados à então UDN, o PSDB da época, e a chamada linha dura, correspondente aos bolsonaristas de hoje.

O plano da linha branda era “sanear” o país, livrando-o da “corrupção e da ameaça comunista”, após o que devolveria o poder aos civis, quatro ou cinco anos depois.

Os da chamada linha dura tinham como lema, “chegamos para ficar por trinta anos”, pregando a incompetência e a desonestidade dos civis para administrar o país.

Por serem mais articulados e gozarem de maior confiança dos norte americanos, dado o golpe, a linha branda tomou as rédeas, fazendo do considerado mais culto e melhor preparado, entre os golpistas, Humberto de Alencar Castello Branco, o primeiro general presidente na ditadura militar.




Castello Branco sempre considerou estar cumprindo uma intervenção temporária e não um mandato, após o que promoveria eleições gerais no país, com a oposição da linha dura.

Faltava menos de um ano para a convocação das eleições e Castello foi passar um fim de semana no sítio da sua amiga, a escritora Raquel de Queirós (Castello era um intelectual).

Na volta, quatro caças da FAB, alegadamente em treinamento de rotina, levantaram vôo de Fortaleza e um deles, num dia absolutamente limpo, sem uma nuvem, de maneira aparentemente calculada, bateu no avião em que estava o general.

O caça fez um pouso de emergência, pouco avariado, o avião do general caiu e ele morreu, com o que as eleições foram para a cucuia e a ditadura se consolidou.

Teori Zavascki estava pronto para homologar as delações da Odebrecht, já tendo admitido que o faria, levando de roldão todo o governo e os tucanos de extirpe, tendo antes colocado o Moro no lugar de juiz, com o rábula de Curitiba anunciando que abandonaria a Lava Jato, e o avião caiu.

Repeteco? Ilegítima defesa, praticada pelos golpistas?

Francisco Costa
Rio, 19/01/2017.

PS: Foi-se o velhinho que queria dar dignidade ao STF.