Tucano eleito no interior de Minas Gerais recebeu doação de pecuarista falecido há 4 anos

Quatro anos após morrer – aos 89 anos no Hospital Sirio Libanês, em São Paulo -, o pecuarista Orostrato Olavo Silva Barbosa, conhecido como “rei do leite”, reapareceu como o segundo maior doador da campanha do atual prefeito de Guaxupé, no interior de Minas, que conseguiu se reeleger, Jarbas Correa Filho, o Jarbinhas, do PSDB.




O tucano autofinanciou a maior parte de sua campanha, bancando R$ 83 mil do total de R$ 128,2 mil arrecadados, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral. Logo atrás aparece o nome do falecido pecuarista como sendo o responsável por doar R$ 20 mil.

Orostrato foi um dos precursores do agronegócio do leite no País e sua fazenda ficava na divisa entre Guaxupé (MG) e Tapiratiba (SP) e serviu até de inspiração para Benedito Ruy Barbosa escrever a novela “O Rei do Gado”.

O caso chamou a atenção do promotor eleitoral de Guaxupé, Thales Tácito, que encaminhou um pedido de explicações ao prefeito ainda não respondido.

Segundo a campanha de Jarbinhas, a doação foi feita pela conta bancária do espólio do pecuarista, que ainda possui CPF ativo, e não há nenhuma ilegalidade.

O Ministério Público Eleitoral ainda avalia quais medidas deverá tomar sobre o caso. A própria administradora do espólio, Silvia Helena Barbosa, encaminhou um ofício em 28 de setembro ao juiz eleitoral de Guaxupé explicando a transação.

“O inventário do doador não foi concluído ainda, e quem assina a doação é a inventariante Silvia Helena Faria Silva Barbosa. Não temos porque esconder uma doação legal, feita de acordo com os ditames da Resolução TSE 23.463/2015, que não veda doação efetivada por espólio”, afirma o advogado da coligação de Jarbinhas “Guaxupé seguindo em frente”, Newton Moura de Mesquita Filho.

Para o procurador regional eleitoral de São Paulo, Luiz Carlos Gonçalves, o caso chama a atenção. “Neste caso o cidadão que deveria fazer a doação é o herdeiro (do espólio), ou houve anuência dele ou o administrador do espólio está indo além do que a lei permite que ele faça”, avalia o procurador. “Dá impressão de doação por interposta pessoa.”

Gonçalves lembra que a doação eleitoral ‘é um ato de cidadania, e portanto, não faz sentido ser feita por um morto ou mesmo espólio’.

A reportagem tentou contato com o advogado da família de Olavo Barbosa, mas não conseguiu localizá-lo na noite desta terça-feira, 4. O espaço está aberto para a manifestação dos familiares do pecuarista.

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