Todo o cenário para 2018 está se configurando de uma maneira favorável para o PT

Todo o cenário para 2018 está se configurando de uma maneira favorável para o PT, seja o candidato Lula ou não.

– O PMDB e o PSDB estão juntos em um governo mal avaliado. Ainda que a popularidade melhore, dificilmente o Governo Temer alcançará um patamar de avaliação que torne a eleição uma eleição de governo;




– Há quase 14 milhões de desempregados;

– Isto tende a diminuir, mas não o suficiente para gerar um situação de bem-estar;

– Os serviços públicos se deterioraram como resultado da crise fiscal;

– Em breve a população começará a falar mal da nova legislação trabalhista, o discurso da redução de direitos tenderá a prevalecer, em particular se não houver um aumento expressivo no emprego que possa ser associado à mudança da CLT;

– Não há uma gravação de Dilma como há de Temer com Joesley. O motivo de seu impedimento tem a ver com o buraco fiscal, que aumentará em 2017 com Temer. Ou seja, retirou-se da presidência uma não-corrupta para se fazer um ajuste fiscal que, além de não ter sido realizado, tornou a situação pior;




– Os aumentos de gastos em 2017 feitos pelo Governo Temer foram para atender as grupos politicamente fortes, em particular ao judiciário, o que abre espaço para um discurso de oposição contra um governo que prejudica os mais pobres enquanto dá aumento para os mais ricos;

– Se o PT prometer em 2018, na campanha, aumentar gastos para sair da crise será a cereja do bolo de uma eleição de oposição. Repetirá 2002. O “risco Lula” ou, se ele não for candidato, “risco PT”, irá lá para cima prejudicando ainda mais o governo Temer, na suposição, obviamente, de que o candidato do PT passe a ser visto como um dos favoritos;

– O PSDB não tem como afastar a sua imagem do Governo Temer. O mais provável é que o candidato seja Alckmin. Ele terá de explicar nos debates porque os parlamentares do PSDB aprovaram as propostas de um governo impopular.

Para efeitos analíticos as eleições podem ser divididas entre eleição de governo e eleição de oposição. 2018 será um eleição de oposição e os elementos acima aparecerão no discurso da oposição.

Alberto Carlos Almeida é sociólogo e cientista político.