Temer financiou campanha de deputado que deve relatar denúncia da PGR

O presidente Michel Temer financiou em 2014 parte da campanha do deputado Alceu Moreira (PMDB-RS), nome mais cotado hoje para relatar na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara denúncia que a Procuradoria-Geral da República deve apresentar na próxima semana.




Alvo da denúncia, Temer repassou a Moreira R$ 100 mil em dois cheques de R$ 50 mil. As doações foram registradas na prestação de contas do parlamentar no Tribunal Superior Eleitoral.

A primeira metade foi repassada pela pessoa jurídica “Eleições 2014 Michel Elias Temer Lima”. Apesar de o nome do presidente estar errado na prestação de contas, o CNPJ registrado no site do TSE é mesmo o da campanha do então vice-presidente, segundo informações públicas da Receita Federal.

Os outros R$ 50 mil foram doados pelo próprio Michel Miguel Elias Temer Lulia, como pessoa física. O CPF registrado é o do peemedebista.

Como a Folha mostrou nesta segunda-feira (12), Moreira é o favorito para relatar a denúncia. O governo tem pressa na tramitação do pedido, pois acredita ter votos suficientes para derrubá-lo e quer diminuir o tempo de desgaste do presidente.




O deputado recebeu também, via direção nacional do PMDB, R$ 200 mil da BRF, concorrente da JBS, cujas delações baseiam a denúncia que será apresentada pela PGR nos próximos dias.

O parlamentar recebeu ainda doações diretas e indiretas de empresas alvo da Lava Jato. A Braskem, ligada à Odebrecht, doou R$ 30 mil diretamente à campanha de Moreira. Outros R$ 40 mil, via “comitê financeiro único”. A própria Odebrecht, pela direção nacional do PMDB, repassou R$ 50 mil ao deputado.

Alceu Moreira é citado na delação premiada de Ricardo Saud, diretor da JBS, como destinatário de um pagamento de R$ 200 mil em espécie na disputa eleitoral de 2014.

“Demos R$ 200 mil em dinheiro vivo”, afirma Saud em seu depoimento.

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