Tá serto! Governo Temer-PSDB estimula as pessoas a investirem em previdência privada

As pessoas estão colocando mais dinheiro em planos de previdência privada no Brasil, mas o número de investidores nesses fundos continua crescendo lentamente.

A proposta do governo para reforma da Previdência, que ainda será debatida no Congresso, poderá obrigar as pessoas a trabalhar mais para se aposentar e ameaça reduzir o valor dos benefícios com que elas poderão contar.

Mas a preocupação com as mudanças ainda não provocou uma corrida dos trabalhadores interessados em formar reservas para a velhice.

De janeiro a outubro, a captação líquida dos fundos, descontando os resgates das novas aplicações, cresceu 20% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo a Fenaprevi, entidade que reúne empresas que vendem planos de previdência.




O número de novos investidores em planos de previdência cresceu 5,8% em 12 meses, segundo a Fenaprevi.

Para o presidente da entidade, Edson Franco, os números mostram que o segmento resistiu à crise econômica e pode ter lucrado com a discussão sobre a reforma.

Mas ele não espera uma mudança de comportamento das pessoas, que agora encontrariam motivação para investir no longo prazo. “Não há uma mudança radical”, diz.

Especialistas afirmam que guardar dinheiro para complementar a renda na aposentadoria será a único caminho para manter o padrão de vida.

Pela proposta do governo, um trabalhador precisará comprovar 49 anos de contribuição para receber 100% do benefício, que é calculado sobre a média dos salários ao longo da vida e limitado ao teto do INSS, hoje de R$ 5.189.

“A situação piora para todos com a reforma”, diz Juliana Inhasz, professora de finanças do Insper. “Mais do que nunca, será importante fechar um pouco a torneira de gastos e fazer investimentos.”

Os planos de previdência complementar são uma opção para quem tem pouca intimidade com produtos financeiros, ela afirma, mas investidores experientes podem acumular mais dinheiro buscando estratégias próprias para aplicar seus recursos.

“Com isso é possível evitar custos, como as taxas de administração dos planos, e ter rendimentos melhores”, diz.

Para Edson Franco, o crescimento do mercado dependerá do fim da prolongada crise econômica que o país enfrenta há mais de dois anos.

“Mesmo que haja uma reforma da Previdência com restrições, as pessoas precisam ter dinheiro pra investir”, afirma. “Se elas estão preocupadas com a subsistência, a preocupação é com o hoje e não com o amanhã.”

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