Sou brasileiro com muito orgulho e com muito amor

Ouve-se muito esse cântico em jogos e manifestações contra a política, mas o que é ser brasileiro e até onde vai esse orgulho?

Ultimamente, um fato estranho e sem uma explicação lógica vem destruindo o que resta da nossa cultura e da nossa soberania como nação. Trata-se da praga destruidora do estrangeirismo modista e desnecessário. Não daquele que contribuiu para a formação do idioma, mas deste que o está deformando. Alguns dizem que se trata de internacionalização; outros dizem que é bonito, que as pessoas acham bonito e  por isso, usam.

Quantos dos que usam em suas postagens frases como: “Dê um “like” no meu “post”, “Faço fotos de newborn, pre-wedding”, “Post do meu último job”, – Isso só na fotografia, mas essa praga já atingiu vários outros setores – foram às ruas e entoaram a frase título deste artigo?. Quem o faz, realmente acredita que isso internacionaliza o trabalho, sem ao menos usar uma “#” antes das palavras em inglês? Alguém acredita mesmo que usar palavras soltas em inglês fará com que o estrangeiro entenda todo o resto? O livro de Olavo de Carvalho, “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota” é leitura obrigatória para quem pensa dessa forma. Nessa obra, Olavo de Carvalho traz à tona o que deveria ser óbvio, que o próprio povo está matando a já quase inexistente cultura brasileira, e que uma nação sem identidade própria está fadada à ruína. Mas afinal, quem é o público dessas pessoas? Se for um estrangeiro, toda a propaganda deveria estar em inglês, se for um brasileiro, essa deveria estar em português. Lembrando que, no meio desses “bilíngues”, há inúmeros que sequer sabem pronunciar o que estão escrevendo.




Talvez a explicação mais plausível para essa rejeição ao idioma Português seja a decadência do mesmo em razão da má qualidade do ensino. Mas, substituir o idioma é a solução para o problema em questão? É assim? Se nossa cultura está “doente”, nós a substituímos por outra?

Os entoadores do “Sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor”, protestaram contra a privataria, e agora, podem vir a esbravejar contra a internacionalização do pré-sal, mas, por sua vez, estão internacionalizando o nosso, também riquíssimo idioma, entregando, aos gringos, a nossa soberania. Um território é considerado pertencente a um país, quando nele é falado o idioma do mesmo.

A mídia – que vem da megalópole, que se pudesse se separaria do Brasil, por se sentirem superiores demais – é a grande propagadora deste mal. Uma mídia que influencia em eleições, comportamento e até no que devemos ter como cultura, é extremamente perigosa e deve ser usada com moderação. Mas, nesse caso, como combater essa célula cancerígena? Será que está faltando um Ministério da Cultura mais atento e ativo?

Uma coisa é certa, um povo que negligencia sua própria identidade é, no mínimo, medíocre e sem amor próprio e, assim, suscetível a ser enganado, manipulado e usado.

Internacionalizar-se não é substituir sua identidade por outra.

Por Marcelo Carvalho, fotógrafo e artista-gráfico


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