Sobre Lula, Bolsonaro e as eleições

patyMiriam Galvani

Não é preciso ser muito espero para vislumbrar o cenário das eleições presidenciais 2018.

Me considero uma observadora neutra, já que, em verdade, minha candidata sequer entra na linha de conta.

Trata-se de Luciana Genro. Sobre ela, desnecessário eu tecer considerações, eis que não se aplicam ao cenário atual, ou futuro, para presidente.

Venho há algum tempo perscrutando as postagens sobre política, e posso fazê-lo folgadamente no ambiente do Facebook, a uma porque passam de dois mil amigos em minha rede social, a duas porque a esses amigos se agregam outros, e passam de dez mil pessoas na minha timeline.

E o que observo não é nada bom.

De um lado, o ódio irracional a um único partido, eleito o Judas Iscariotes , o lado mau, cheio de bandido,s que formam a maior quadrilha já vista no Brasil.

Do outro, está a direita, nefasta, ignorante, formadora de massas, incitadora do ódio.




Há verdade por trás dessas afirmações?

Ouso dizer que uma meia verdade.

Bem meia verdade.

Se, por um lado, é inegável que membros do partido em que os grandes meios de comunicação determinaram que a população deveria odiar,  cometeram crimes (e muitos devidamente punidos por isso), por outro, é vergonhosa a defesa feita sobre membros da chamada direita.

É inegável que Moreira é réu em ações movidas pelo Ministério Público. É inegável que, quando Dilma tentou nomear Lula para a Casa Civil, setores da sociedade imediatamente organizaram o chamado “panelaço”, porém, mais inegável ainda é que, quando o atual Presidente nomeou vários investigados Ministros, as mesmas panelas se calaram. As mesmas  panelas se calaram quando foi criado um Ministério para Moreira. É inegável que as panelas se calaram quando recaíram suspeitas sobre o novo indicado ao STF.

E tal demonstra apenas que a sociedade não está preparada para a democracia (é isso mesmo, leitor: A SOCIEDADE NÃO ESTÁ PREPARADA PARA A DEMOCRACIA).

Demonstra que a sociedade brasileira carece de senso crítico, de exemplo de caráter, de honestidade.

Demonstra que, ao fechar os olhos e paralisar as manifestações que até então eram quinzenalmente organizadas, a sociedade escolheu um lado: o do maucaratismo..

Sei que desagrado a Gregos e Troianos, e esta é exatamente a intenção: desagradar a todos, mostrar a todos o quão imbecilizados estão.

Imbecilizados pelo ódio, pela falta de caráter. Imbecilizados pelos meios de comunicação.

Quando foi que o brasileiro deixou o caráter de lado e elegeu um traficante para o cargo de vereador?

Quando foi que os “unidos contra a corrupção” deixaram de se escandalizar com ela, assim que a Presidente foi deposta por meio de impeachment?

Quando foi que aqueles que se auto intitulam de esquerda se esqueceram que existe, sim, dentro do PT, pessoas que se corromperam, que cometeram crimes?

E, acima de tudo: quando foi que as pessoas pararam para pensar que, enquanto elas se matam nas redes sociais, políticos se unem para acabar com o País?

Quando foi que perderam a capacidade de entender que a reforma do ensino proposta desmonta escolas? Será que foi quando Alckmin fechou  várias de escolas em São Paulo, enquanto a direita raivosa gritava serem os estudantes “baderneiros” (sim, essa “conta” é de vocês!!!)

Ou será que a vergonha foi perdida no episódio ocorrido no Espírito Santo, onde, assim que se viu sem qualquer vigília, boa parte da “população de bem” cometeu todos os crimes que secretamente desejava, porém o medo os impedia?  Seria falta de vergonha ou covardia inata?

Ou será que a vergonha foi perdida quando se brada pelo fim do foro privilegiado, mas se você for de certo setor, oh, não, somos os honestos intocáveis?




Seja qual for a “data” em que você perdeu a vergonha, recupere-a.

Recupere o seu bom senso.

Pare de ser massa de manobra. APENAS PAREM, DIREITA E ESQUERDA.

Parem de fazer o que se espera de uma multidão insandecida, emburrecida, acovardada, que quer o fim de privilégios, desde que os privilégios sejam os DAS OUTRAS CATEGORIAS, NUNCA A SUA!

Parem de brigar entre si, enxerguem além do óbvio.

E o óbvio ululante é o fim da sua aposentadoria, da sua educação, da sua saúde.
-weight: 400; font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 12pt;”>Parem de bater palmas para governos – EU DISSE GO-VER-NOS – cuja única meta é o enriquecimento dos grandes grupos econômicos – dos quais eles sempre fizeram e sempre farão parte – e o empobrecimento da população, o sucateamento dos serviços básicos.

Pare de achar que você é a elite, porque você não é. Nenhum de nós é. Você pode ter um bom emprego, uma super casa e um carro caro, ainda assim você é pobre. Nós somos pobres.

Ricos são os banqueiros, ricos são  os donos de grandes empreiteiras.

Você, caro leitor, é pobre, porque DEPENDE DO EMPREGO PARA SOBREVIVER.

Sem seu emprego, adeus casa, carro, plano de saúde “vip”, clube exclusivo. Você não passa de mais um trabalhador, descartável, como o foi o engenheiro que se matou, ao perceber que iria perder o emprego que lhe garantia uma vida invejável, levando junto toda a família (http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2016/08/1808140-nao-vamos-ter-mais-renda-diz-carta-de-suicidio-de-pai-que-matou-a-familia.shtml).

Ah, você é um estável funcionário público, ou vitalício? Mesmo, cara pálida? E o que foi que ocorreu durante o Regime Militar, mesmo?

Acho que muitos juízes e promotores foram demitidos, não é mesmo? E o que dizer de delegados de polícia? Isso pra me ater à minha área!(http://acervo.oglobo.globo.com/fatos-historicos/criado-em-1890-stf-sofre-cassacao-na-ditadura-apoia-redemocratizacao-16197190#)

Pare de pensar dentro da “casinha” que criaram para você.

Pense mais. Pense grande. Pense que quem deve perder privilégios, que se aposentam com uma legislatura, são os políticos.

Esse que você, por uma forma ou outra, ajudou a colocar no poder.

Esse político que faz com que você repita desengonçadamente “Fora PT!”, mas faz tabula rasa do seu voto, ao propor as indecentes reformas trabalhista, educacional e previdenciária.

Pense nos seus filhos, que trabalharão por 49 anos, se aposentarão aos 65, com expectativa de vida de 68/70 anos.

Pense que eles provavelmente não conseguirão pagar um bom plano de saúde. Pense que, se, por alguma forma você ajuda seu(ua) filho(a) ou seu(ua)  filho(a)  o(a) ajuda, é porque há algo de muito errado no sistema brasileiro, que não acolhe nem jovens, nem idosos.

Pense, mas pense muito. Porque esta pode ser sua última chance de, pensando, mudar.

Ah, é, eu não falei sobre Lula e Bolsonaro. E nem era para falar, mesmo. O voto é direto, secreto e universal. Respeite seu voto! BOA NOITE!

Miriam Galvani, advogada militante em São Paulo e Minas Gerais, procuradora do município de São Sebastião do Paraíso-MG, especializada em processo penal, ambiental e direito do consumidor.


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