Secretária de Educação de Rondônia discute militarização da escolas com deputado

patyLuciana Oliveira

O corte de cabelo masculino deve ser mantido com máquina 2, barba, bigode ou cavanhaque, brinco, piercing e óculos escuros serão proibidos e guarda-chuva, só se for na cor preta.

Os cabelos femininos só serão permitidos soltos se não ultrapassem a altura da gola do uniforme e mechas coloridas, nem pensar! Nas unhas só aceitarão esmalte incolor ou pintadas nas cores branca e rosa-clara.

“Ao cruzarem com um professor, diretor ou monitor, os alunos deverão prestar continência. Namorar, beijar, andar abraçado ou de mãos dadas serão consideradas transgressões disciplinares e os pais são chamados.”

Foi pra discutir como e onde começar a militarização na rede pública de ensino que a Secretária de Educação do Estado de Rondônia, Fátima Gavioli, se reuniu com o Deputado Jesuíno Boabaid (PMN), com o CEL PM Apolônio, Tenente PM Ossuci, de Jaci-Paraná e também com o Tenente Edmar Correia.

A notícia está no site do deputado que ingressou na política como policial militar e elegeu agora vereadora a esposa, Ada Dantas, uma liderança na Associação dos Praças e Familiares da Polícia Militar e Bombeiro Militar do Estado de Rondônia, a ASSFAPOM.




Jesuíno acredita piamente que a militarização das escolas é a melhor “resposta à crescente violência no ambiente estudantil seja contra professores, servidores ou entre os próprios alunos.”

Na cabeça do deputado, a rotina de quarteis nas escolas públicas fará com que os estudantes “além de seguirem uma doutrina nas dependências da escola”, também tenham mais respeito ao próximo.

O que choca não é o deputado defender essa padronização de comportamento robótica, bem ao estilo da escola da música Another Brick In The Wall, do Pink Floyd. O que estarrece é a secretária estadual de educação concordar com a viabilidade de transformar estudantes em meros tijolos na parede.
Essa secretária da ignorância deveria ser exonerada imediatamente!

Está na matéria do deputado que “A Secretária Fátima Gavioli afirmou que, sendo conhecedora dos inúmeros benefícios que as Escolas Militarizadas levam aos alunos, gostaria de instalar 10 (dez) Escolas Militares no Estado, porém, alguns pontos dificultam a realização deste feito.”

Essa ideia de integrar a gestão da educação à rotina dos militares tem crescido no pais, mas a resistência também.

Veja, o deputado copiou parte do texto da matéria que publicou, do site da ANPED, uma associação sem fins lucrativos que congrega programas de pós-graduação stricto sensu em educação, que defende o desenvolvimento da ciência, da educação e da cultura, dentro dos princípios da participação democrática, da liberdade e da justiça social.

Só que o deputado aplicou o texto copiado no contexto dele, favorável à militarização nas escolas.

No site da ANPED, “a questão que se coloca é que os resultados obtidos, essa situação privilegiada, são decorrentes não da gestão militar, mas das condições diferenciadas efetivamente oferecidas. Caso essas mesmas condições estivessem presentes nas demais escolas públicas, elas e seus profissionais seriam com certeza capazes de assumir o trabalho com a competência necessária.”




Não precisa muito esforço pra entender a rejeição à doutrinação de estudantes. Nos Fóruns de Educação no país, estados que planejam a militarização encaram o contra-argumento de que “A escola é espaço de aprendizagem, de formação de cidadania, de construção de valores e atitudes, e para que ela possa se efetivar como tal, não é necessário que seja militarizada. Basta que sejam destinados a ela os mesmos recursos encaminhados às escolas militares, tanto financeiros quanto de pessoal.”

Deixem as crianças em paz!

Controle mental? Apliquem nas suas casas e quartéis.

Deputado, que tal aplicar na Assembleia Legislativa do Estado, um verdadeiro museu de indisciplina, de desrespeito ao próximo, de crimes que multiplicam mortes com a rotina da corrupção?

Que tal controlar as mentes de servidores públicos e políticos que são um péssimo exemplo para as gerações futuras?

Eu, confiar na polícia lobotomizada por falsos pastores evangélicos que o elegeram, para dar educar meus filhos? Jamais!

Não precisamos de controle mental!

Precisamos expandir a mente dos estudantes com a educação e não atrofia-las em ilhas de excelência militar.

E que Deus nos livre dessa desgraça de projeto que transforma seres humanos em robôs cretinos que batem continência a imorais que estão em todos os cantos, como zumbis, também nas escolas e nas igrejas.

Recuso esse pudim pra comer a carne.

Luciana Oliveira, bacharel em Direito, jornalista e ciberativista de causas sociais. Blogueira progressista e membro da Comissão Nacional de Blogueiros.


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