Início Colunas Rui Costa Pimenta: Não tem acordo, então agora é a rua

Rui Costa Pimenta: Não tem acordo, então agora é a rua

O resultado de 3 a 0 pela condenação do ex-presidente Lula manda um recado claro que a esquerda nacional tem que compreender, tem que analisar: não vai ter nenhum tipo de saída negociada para o problema do golpe que procura se impor pela força pelo peso do aparato do Estado contra o PT, contra a esquerda em geral. E parece que as ilusões de que tudo isso pudesse ser resolvido por vias jurídicas, por meios legais, vai desaparecendo. É preciso tirar essa conclusão. Acho que muita gente está tirando essa conclusão.




Nós temos, inclusive, o problema que se coloca da própria prisão do ex-presidente da República. A burguesia está lançando um balão de ensaio para prendê-lo, eles só estão procurando criar as condições apropriadas para colocar Lula na cadeia e o movimento operário e popular tem que se mobilizar. Chegou a hora de enfrentar essa situação. 

A direita mostrou que esse é um jogo de tudo ou nada. Não vai dar empate. Não vai dar resultado dividido; ou o movimento operário para a direita e para o golpe, ou a direita e o golpe vão passar o rolo compressor por cima das organizações operárias e populares; uma vez que Lula esteja preso, todo mundo, as lideranças do PT e muitos outros, estão ameaçados. É o caso da presidenta Dilma Rousseff. Já há processo, acusações, processos que já estão sendo forjados. A senadora e atual presidenta do PT, Gleisi Hoffman, vários dirigentes do mais alto escalão; é uma política para destruir o PT, mas que não tem nada a ver exclusivamente com o PT, querem destruir qualquer tipo de organização operária, popular no poder. Isso tem que ficar absolutamente claro. 

O resultado é nítido, não deixou margem a dúvidas. O PT esperava que talvez desse um resultado de 2 a 1, que abriria brecha pra uma saída negociada. Mas o que vimos é que a direita não está para negociação. Respaldaram o processo fraudulento do juiz Sérgio Moro e a coisa vai endurecer. É preciso dar uma resposta à altura. Não adianta contar com sonhos cor de rosa por que isso não vai dar uma saída. 



O que nós podemos observar do ponto de vista da direita, inclusive pelas reações em torno à nossa transmissão ao vivo de todo o julgamento, é que houve um público e robôs, contratados, uma matilha de direitistas reagindo. Isso expressa o fato de que a direita têm uma insegurança com relação ao resultado do julgamento. Os golpistas tinham muito medo do ato em Porto Alegre, infelizmente o próprio PT não quis jogar essa cartada de ocupar Porto Alegre como nós lançamos a palavra de ordem. O ato de SP ofereceu a possibilidade de um contraponto e os atos nacionais também. 

Mas a direita está preocupada, a polarização política no país é muito grande e por isso esses setores que atuam nas redes sociais vem com tudo e, logicamente, contra nós; não apenas por sermos um meio de comunicação, mas também por termos uma posição partidária e muito nítida, combativa com relação à questão do golpe e contra eles. É uma tentativa de calar o PCO, calar a Causa Operária TV. É uma corja, uma escória. É uma escória que está se mostrando, e isso é educativo. Mostra quem está levando adiante o processo de golpe, de ataques contra a esquerda; é o esgoto social brasileiro. 

Avaliando os atos o que vimos foi que o ato de Porto Alegre foi grande, sem dúvida, foi uma manifestação importante, mas não foi nada parecido com o que poderia ter sido. Precisamos deixar claro que o ato em Porto Alegre, o tamanho do ato, embora grande, não reflete o tamanho da indignação e da revolta que existe na população brasileira. Esvaziar as manifestações em Porto Alegre foi um erro tático do PT. Já havíamos comentado que eles estavam com receio de que uma multidão de 60, 70 mil pessoas poderia recorrer a uma ofensiva contra o TRF4, contra a polícia; daria para ter colocado uma massa de pessoas lá. 



Mas essa decisão de não ir para o Rio Grande do Sul também se deu pois muita gente não achava que seria 3 a 0. Agora está caindo a ficha de que a luta é pra valer e o negócio vai ser feio. Em Porto Alegre quando o terceiro voto foi dado, havia 2, 3 mil pessoas na vigília, então não houve muita reação; o pessoal desmontou o acampamento e foi embora. 

O ato em São Paulo mostrou que a Praça República ficou lotada. Esse ato provavelmente foi maior que o de Porto Alegre, então agora vamos ver o que acontece, ver a reação de todos, isso é muito importante; observar como a massa vai reagir. 

A primeira impressão é que há uma certa perplexidade nos organizadores do ato em relação ao 3 a 0, não estavam esperando. Algo parecido com o que aconteceu com o impeachment, mas numa escala reduzida porque a gente já atravessou uma parte do caminho do purgatório do golpe; então já não há tanta ilusão assim; então acho que a reação dessa vez vai ser mais de revolta do que de prostração, como aconteceu da outra vez. 

Temos que ver o que o próprio Lula vai falar, qual a diretriz. Ele falou várias vezes que esperava ser inocentado; é uma colocação meio retórica, reafirmando inocência diante de um processo totalmente fraudulento, mas se colocando como uma pessoa que está sendo injustiçada. Vamos ver qual será a orientação. A presidenta Dilma Rousseff falou que não tem plano “B”, vamos aguardar para ver se isso se confirma, ou se aparece um plano “B” no meio da história.  

Para a próxima etapa a palavra de ordem central do momento, afora a defesa do Lula etc. é a construção de Comitês Populares de Luta, que o PT centra em torno exclusivamente do ex-presidente Lula e nós falamos de luta contra o golpe, mas há uma coincidência grande em relação ao problema, isso é central. É preciso mobilizar. 

É preciso uma mobilização e essa mobilização tem que ser organizada. A chamada do PT de construir comitês teve uma resposta muito boa; formaram-se centenas de Comitês muito rapidamente. Lula é uma figura importantíssima no país e particularmente para o PT, então é um eixo importante de mobilização e organização. Segundo, é preciso intensificar a mobilização. Estamos no dia 24 de janeiro, uma zona meio cinzenta da situação política; vem o carnaval, mas acho que tem que começar com um plano de atos, mobilização. Não é possível fazer esses atos que foram feitos agora e parar tudo e ficar esperando algum milagre das instituições golpistas. Vamos ter que passar um carnaval político, com mobilização em todo país, inclusive o carnaval deve ser um momento de politização, polarização e protesto. 

Se a Frente Brasil Popular, que está coordenando as mobilizações, deixar a coisa esfriar, vai ser um dos piores erros que poderia cometer. É preciso esquentar a coisa. O veredito é claro: não tem acordo, então agora é a rua. Não adianta ficar pensando em juiz, em recurso; ou a população impõe sua vontade na rua ou vai perder para esses engravatados golpistas que estão dando o golpe; um golpe de luvas brancas, fazem toda a sujeira mas com a aparência limpinha. Não podemos deixar isso acontecer. 


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