Rui Costa Pimenta: Eleições em tempo de golpe de Estado, “vitória ” da direta

É fácil prever que o resultado das eleições municipais cairá como um balde de água fria sobre toda a esquerda nacional. As ilusões de que “tudo continua como antes” do golpe foram severamente atingidas.

O resultado é típico de eleições pós-golpe de Estado. João Dória, do PSDB ganha em S. Paulo, a eleição em primeiro turno com mais de 50% dos votos. O atual prefeito Fernando Haddad não chega a 20%. Como a direita conseguiu esse resultado? Não temos ciência dos detalhes, e não podemos descartar os métodos mais fraudulentos, mas a explicação geral é clara: os golpistas controlam o regime político e as urnas vão cantar a música que eles encomendarem.




A tarefa da esquerda era a de denunciar esse fato elementar. O resultado é o resultado do golpe. A tarefa nas eleições era denunciar o golpe e mostrar que caminhamos para um regime de fato.

A “vitória” da direita golpista é um sinal claro do que vem pela frente. O ataque contra os trabalhadores, a classe média, seus direitos políticos, suas condições de vida fica fortalecido pela aparência de respaldo popular dada pelas urnas.

As propostas simplórias de “diretas já” só podem produzir um estado de perplexidade.

O pior, no entanto, são as conclusões – e as consequências em termos de ação política – daquilo que está acontecendo. Não há dúvida de que a parte mais confusa e atrasada da esquerda (alguns chegaram à surpreendente conclusão de que o governo de Dilma Rousseff havia sido derrubado pelo povo!) vai propor um recuo ainda maior diante da ofensiva da direita. Este é, logicamente, o caminho da derrota.

Para uma parte, o balde de água fria vai proporcionar uma relativa sobriedade para analisar a situação.

Uma análise mais detalhada dos números durante a semana, vai nos proporcionar conclusões mais concretas para orientar a política a ser levada adiante.

A conclusão fundamental, no entanto, continua a mesma: é preciso reorganizar e reorientar a luta contra o golpe e contra os golpistas por meio da denúncia e da mobilização sistemática.

A recusa de combater os golpistas só poderá levar aos resultados mais dramáticos para as massas.


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