Primeiro a gente tira a Dilma, depois esquece

O governo que completou cinco meses segue abrigando ministros enrolados com a justiça. O Brasil 247 fez um levantamento que aponta 15 dos 24 ministros do governo Michel Temer nada limpinhos e cheirosos que estão no poder, contra a vontade do povo de exemplos de moralidade em cargos públicos.

Muitos são citados na Operação Lava Jato e a lista exclui “os ex-ministros do Planejamento e do Turismo Romero Jucá e Henrique Eduardo Alves, por já terem deixado o governo após escândalos, e o secretário do Programa de Parceria de Investimentos, Moreira Franco, por não ter status de ministro. Todos do PMDB e alvo de investigações.”



Sem ruído de panelas, seguem faceiros e descarados à frente de ministérios:

Ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, réu em uma ação civil de improbidade administrativa;

 Secretário de governo, Geddel Vieira Lima, investigado na Operação Lava Jato;

O secretário do Programa de Parceria de Investimentos, Moreira Franco, acusado pelo executivo Claudio Melo Filho, ligado à Odebrecht, de ter recebido R$ 3 milhões em propina em 2014.

José Serra, ministro das Relações Exteriores, José Serra (PSDB-SP), que citados por executivos da Odebrecht na Lava Jato, alvo de investigação no caso do cartel de trens em São Paulo e investigado por prática de improbidade administrativa durante a gestão como prefeito em São Paulo.

O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, é investigado no mesmo processo de improbidade administrativa de Serra.

 O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, é investigado pelo Ministério Público no inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal para apurar indícios da prática do crime de lavagem de dinheiro.

Sarney Filho, ministro do Meio Ambiente, é investigado pelo Ministério Público por usar passagens áreas para voar ao exterior com a mulher e o filho. Também condenado, pelo Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão, a pagamento de multa por prática de conduta vedada.

Helder Barbalho, ministro da Integração Nacional, responde por improbidade administrativa perante a 5ª Vara Federal do Pará.

O ministro dos Esportes, Leonardo Picciani, é alvo de representação do Ministério Público Eleitoral por suposta captação e gastos ilícitos na campanha de 2014.

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, quando prefeito em 1990, foi condenado na 4ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do estado pela juíza Astrid Maranhão de Carvalho Ruthes, por fraude na venda de coletores e compactadores de lixo que não serviam mais para a prefeitura e seriam vendidos. Ele é o tesoureiro-geral do PP,  investigado desde 9 de novembro no Inquérito 4.157 por corrupção, peculato e crime contra a Lei de Licitações.

O novato ministro do Turismo, Marx Beltrão, é réu no STF em uma ação penal por crime de falsidade ideológica.

Maurício Quintella Lessa, ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil foi condenado, em 2014, por improbidade administrativa com dano ao erário e enriquecimento ilícito.

Os ministros Raul Jungmman (Defesa), Mendonça Filho (Educação), Fernando Coelho Filho (Minas e Energia) e Bruno Araújo (Cidades) são citados na planilha da Odebrecht, apreendida pela Polícia Federal na sede da construtora, em março, durante a 23ª fase da Lava Jato.

unnamed-1

AÇÃO POPULAR DE ADVOGADOS DE RONDÔNIA

Enquanto isso segue engavetada a Ação Popular com pedido de Provimento Liminar ajuizada por oito advogados inscritos na Seccional da OAB em Rondônia, que denunciaram a nomeação de oito ministros quando o governo ainda era provisório, um ato ilegal e lesivo à moralidade administrativa.

Os advogados argumentaram que feria o princípio da moralidade pública a nomeação de citados e investigados na Operação Lava Jato e em outros procedimentos investigativos ou ações penais perante diversas instâncias, inclusive no Supremo Tribunal Federal.




Na Ação protocolada junto à Justiça Federal pediram fosse CONCEDIDA medida liminar determinando a imediata e resoluta suspensão da eficácia da nomeação dos Senhores Ministros: GEDDEL QUADROS VIEIRA LIMA – Ministro de Secretaria de Governo; HENRIQUE EDUARDO ALVES – Ministro do Turismo; MAURÍCIO QUINTELLA MALTA LESSA – Ministro dos Transportes; RICARDO JOSÉ MAGALHÃES BARROS – Ministro da Saúde; JOSÉ SERRA – ministro das Relações Exteriores; GILBERTO KASSAB – Ministro da Ciência, Tecnologia e Comunicações; LEONARDO CARNEIRO MONTEIRO PICCIANI – Ministro dos Esportes e RONALDO JOSÉ NOGUEIRA BARROS – Ministro do Trabalho.

De lá pra cá, só ocorreu a expedição de carta precatória à Brasília para citar os réus.

unnamed-2

QUANDO O ESTADO NÃO DA MÍNIMA

Vai pra cinco meses a espera pelo exame de DNA que identifique se uma ossada encontrada é de Nilce de Souza Magalhães, pescadora e militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) assassinada em janeiro deste ano.

Os ossos que podem ser de Nilce foram encontrados, no dia 21 de junho. Suas filhas reconheceram o seu relógio de pulso, a parte inferior do biquíni e uma bermuda masculina que costumava usar. Os objetivos foram achados juntos à ossada que estava no fundo do lago da Usina Hidrelétrica de Jirau.

A Secretaria de Segurança de Rondônia informou, após pressão dos familiares e do MAB, que o exame de DNA para comprovar que a ossada é de Nicinha seria realizado no Mato Grosso, mas não fixou data de entrega do material.

unnamed

NÃO POLÍTICO SÓCIO DE POLÍTICO

Faltam só 13 dias para os eleitores de Porto Velho decidirem qual a melhor opção como prefeito, se o jovem deputado Léo Moraes (PTB) ou ex-promotor e empresário Hildon Chaves (PSDB). Os dois chegaram ao segundo turno com uma distância de 1% de votos, mas a diferença de perfil dos candidatos é imensa.

O ex-vereador e deputado Léo Moraes faz questão de dizer que é vocacionado à política, que se preparou para ser prefeito e que conhece a cidade pelos seus quatro cantos.

Hildon Chaves diz o oposto, que não é político, só aceitou concorrer porque na recusa da deputada Mariana Carvalho o partido indicou seu nome e que apesar de morar por 16 anos na capital, sua rotina era da casa para o trabalho.

O petebista vem de família com tradição na política e nem que quisesse poderia negar como despertou o interesse pela vida pública. Os filhos e parentes de políticos sustentam a base do nosso sistema eleitoral, realidade da qual não podemos fugir.

Da mesma forma é impossível acreditar que alguém meta a cara numa disputa pra prefeito sem um elo muito forte com um grupo político, como insiste Hildon.




Não fosse candidato, os portovelhenses talvez jamais soubessem que ele é sócio da esposa do senador cassado Expedito Júnior, também condenada por abuso de poder econômico e captação ilícita de sufrágio. O empresário milionário reconheceu à revista Veja “que o negócio com Valdelise Ferreira nunca chegou a funcionar e que anualmente o declara como sem movimento.”

Que ele tem laços com grupo político, já não dá pra negar. Agora como um ex-promotor que se disse rigoroso como acusador, se sentiu à vontade para integrar a sociedade que não dá lucro, permanece uma incógnita.

Por que se manteve num negócio que tem endereço fora do Estado, que não dá lucros?

Isso desmonta o discurso de Hildon Chaves no que diz respeito a não frequentar o meio político. Se eleito, a mulher do presidente do PSDB, o senador cassado, terá um sócio ou ex-sócio caso deixe de ser, como prefeito.

O que também chama a atenção nos programas eleitorais do tucano é que confunde o eleitor realçando suas qualidades como empresário. Como é vedada a participação de servidor público como administrador em sociedade, resta evidente que sua experiência como gestor de suas empresas se resume há três anos, desde que pediu pra sair do Ministério Público.

E três anos, ninguém constrói um império. Um sócio cotista normalmente não tem qualquer participação na administração de uma empresa. O mérito do fenomenal sucesso empresarial, por uma questão de honestidade, deveria ser atribuído à sua esposa que administrou os negócios.

Luciana Oliveira, bacharel em Direito, jornalista e ciberativista de causas sociais. Blogueira progressista e membro da Comissão Nacional de Blogueiros.


Leia mais