Presidenta Dilma Rousseff agradece parlamentares franceses: obrigada, somos todos democratas

Merci, messieurs les parlementaires

O mundo assiste estupefato às tentativas vãs de interrupção de um governo eleito democraticamente pelo voto de 54,5 milhões de brasileiros. Mas não assiste calado ao atropelo da nossa jovem democracia.

Na última quarta-feira (13), um grupo de 27 senadores e deputados franceses denunciou ao mundo, pelas páginas do jornal Le Monde, o “golpe baixo parlamentar” promovido contra o meu governo.

Os parlamentares que subscrevem o manifesto, encabeçado por Patrick Abate, senador de Moselle pelo CRC, pedem à comunidade internacional que condene o golpe de estado no Brasil.

E alertam: “Seria grave para todo o subcontinente que o maior país da América Latina mergulhe em um impasse político, econômico e social”.

Tenho dito que meu sentimento é de injustiça. Sou vítima de uma injustiça cometida por setores do parlamento, por segmentos da mídia oligopolista, por uma parte da elite brasileira que não respeita as urnas e a vontade do povo brasileiro.

A vontade de 54,5 milhões de brasileiros foi ignorada em nome de um pretenso governo de salvação nacional que na verdade busca interromper conquistas sociais e deter investigações contra a corrupção.

O caráter republicano de minha conduta como presidenta nunca foi questionado. Não tenho contas no exterior, não cometi atos de corrupção e nem enriqueci. Ninguém tem provas contra mim, a despeito do esforço da oposição golpista e de setores da imprensa brasileira, que mantêm uma campanha sistemática contra mim, acusando-me de maneira injuriosa desde o início do meu segundo governo.

Há 60 dias, um governo ilegítimo, liderado pelo vice-presidente Michel Temer, meu ex-companheiro de chapa que se revelou um traidor da vontade popular, tenta impor ao país uma agenda conservadora, regressiva e sem legitimidade. Não passou pelo crivo das urnas e nem da sociedade brasileira.

A Presidência da República do Brasil foi usurpada. É usada hoje para implantar uma agenda de ataque frontal aos direitos dos trabalhadores, aos segmentos populares e contra os interesses do país. Em nome de uma política fiscal rigorosa, querem congelar investimentos em saúde e educação por 20 anos, vender o patrimônio público e entregar nossas riquezas. Isso é inaceitável.

Estamos denunciando a fraude no processo de impeachment – aberto sem indícios ou qualquer prova de crime de responsabilidade – e o caráter golpista do governo provisório, ilegítimo e interino desde o início.

Minha voz está sendo ouvida. No país e no exterior, surgem manifestações reforçando o que tenho repetido: o Brasil sofre uma tentativa de golpe de Estado.

Agora, na França, uma das inspirações da democracia para o mundo, representantes do povo, eleitos pelo voto popular, ressaltam que o Brasil vive um momento delicado. A democracia brasileira está ferida.

Quero agradecer aos parlamentares franceses que se posicionaram contra a tentativa de golpe parlamentar no Brasil. Faço em meu nome e daqueles que defendem a democracia e o respeito à vontade popular aqui no Brasil.

A história saberá reconhecer a coragem de lutar pela justiça social e pelos melhores valores humanistas: liberdade, igualdade e fraternidade.

Merci, sénateurs et députés. Nous sommes tous Démocrates.

Meu reconhecimento e agradecimento a Patrick Abate, senador de Moselle (CRC); Aline Archimbaud, senadora de Seine-Saint-Denis (Les Verts); Eliane Assassi, senadora de Seine-Saint-Denis e Presidenta CRC;Marie-France Beaufils, senadora de Indre-et-Loire (CRC); Esther Benbassa, senadora de Val-de-Marne (EELV);Michel Billout, senador de Seine-et-Marne (CRC); Marie Blandin, senadora do Norte (groupe écologiste); Eric Bocquet, senador do Norte (CRC); Jean-Pierre Bosino, senador de Oise (CRC); Corinne Bouchoux, senadora de Maine-et-Loire (groupe écologiste); Laurence Cohen, senadora de Val-de-Marne (CRC); Cécile Cukierman, senadora da Loire (CRC); Ronan Dantec, senador da Loire-Atlantique (EELV); Annie David, senadora de Isère (CRC); Karima Delli, deputada europeia (EELV); Michelle Demessine, senadora do Norte (CRC); Evelyne Didier, senadora de Meurthe-et-Moselle (CRC); Christian Favier, senador de Val-de-Marne (CRC); Thierry Foucaud, senador de Seine-Maritime (CRC); Brigitte Gonthier-Maurin, senadora de Hauts-de-Seine (CRC); Pierre Laurent, secretário nacional do PCF e senador de Paris (CRC); Michel Le Scouarnec, senador de Morbihan (CRC); Noël Mamère, deputado de Gironde (groupe écologiste); Christine Prunaud, senadora de Côtes-d’Armor (CRC); Jean-Louis Roumégas, deputado de Hérault (groupe écologiste); Bernard Vera, senador de Essone (CRC);Paul Vergès, senador daRéunion (CRC); e Dominique Watrin, senador de Pas-de-Calais (CRC).

Dilma Rousseff
Presidenta da República do Brasil