Clamor dos ‘coxinhas’: O litro da gasolina deve passar dos R$ 4,00 nos próximos meses

Rogério Maestri – GGN:


Os adeptos do automóvel estão furiosos, pois a Petrobras que vendia a gasolina em torno de R$1,54 o litro baixou e os preços nas bombas aumentaram. O valor médio da gasolina nas maiores cidades é algo em torno de R$3,70 por litro e a chiadeira é geral, porém pelo que se pode esperar, se o novo presidente da Petrobras seguir ajustando o preço da gasolina em função do mercado internacional, provavelmente estes próximos meses serão os últimos com a gasolina abaixo de R$4,00 o litro ou mesmo R$4,50.

Vamos entender melhor o que acontece, o preço internacional da gasolina está mais ou menos amarrado ao preço do barril do petróleo, e o gráfico da Macrotrends com o preço do petróleo nos últimos 70 anos talvez dê uma pequena idéia do problema.




Com este gráfico se vê além dos preços do petróleo as crises internacionais em barras cinzas. Porém o importante é que em dólares trazidos para valores presentes a última queda do valor do petróleo estava no fim do ano passado e início deste ano beirando um valor mínimo da ordem de $28,50 o barril de petróleo. Este valor extremamente deprimido estava sendo bancado pela Arábia Saudita, que nos anos 70 até 2014 era um oásis de prosperidade para principalmente a família real saudita.

Nesta época a Arábia Saudita começou artificialmente deprimir o seu preço com três objetivos estratégicos, combater o Irã na luta da supremacia regional, intimidar os russos que aos poucos assumiam importância nesta região, e por fim e talvez o mais problemático acabar com o sonho norte-americano de independência energética da importação do petróleo através do Shale Oil.

Este petróleo não convencional podia a três ou quatro anos se viável economicamente acima de US$70 a US$80 o barril, com a queda do preço atingindo um mínimo histórico de US$28,50 o barril ficava completamente inviável a indústria do Shale Oil, o que levou mais de 100 empresas de porte médio a grande a falência.

Porém os norte-americanos deram o troco na Arábia Saudita, apoiaram no início suas intervenções na Síria e mais recentemente no Iêmen, para aos poucos tirarem a escada dos Sauditas (Statement by NSC Spokesperson Ned Price on Yemen). Esta tirada de escada e o custo fantástico da intervenção da Arábia Saudita levaram o reino a déficits de em torno de 100 bilhões de dólares nos últimos dois anos.

Entretanto os problemas da Arábia Saudita não param por aí, com os preços deplecionados do petróleo a política de estado de bem estar social concedida pelo reino aos cidadãos sauditas há algumas décadas passadas se tornou inviável e uma série de não pagamentos de salários de estrangeiros e diminuição das benesses aos cidadãos sauditas mostram que o reino anda meio mal.

Pela primeira vez na vida os cidadãos sauditas vão pagar imposto de renda, e também um imposto de valor agregado vai ser introduzido, além disto o preço da gasolina vai deixar de ser meramente simbólico para começar a ter um pequeno valor. Até a farra da família real está sendo um pouco limitada, e para dar um exemplo há poucos dias foi executado um das centenas de membros da família real saudita, Turki Saud al-Kabir, foi executado porque no meio de uma multidão, completamente bêbado acionou aleatoriamente seu fuzil automático e morto um outro saudita, isto não ocorria há 40 anos quando um foi executado por ter morto o rei.



Mas a história não termina por aí, com a depleção do preço do petróleo as grandes irmãs (grandes empresas de petróleo) adquiriram os passivos das médias e grandes empresas de Shale Oil e conseguiram para que nos próximos dois ou três anos zerassem os prejuízos na exploração não convencional do Shale Oil desde que este tenha um preço de US$55,00 a US$60,00 o barril (Oil price war offers meagre rewards as US shale survives).

Este valor será obtido retomando poços abandonados pelas empresas falidas e retomada a produção. Entretanto o que escondem estas grandes empresas que para os custos de pesquisar novos campos, não tão rentáveis como os já existentes, este preço deverá passar de US$70,00 a US$80,00 dólares o barril, logo para tanto a Arábia Saudita deverá ser neutralizada!

Como se vê, nos próximos seis meses, como já escrevi há mais de um ano, o petróleo deverá atingir em torno de US$60,00 e daqui a dois mais anos ultrapassar a barreira dos U$70,00.

Com este cenário e a Petrobrás e quem adquirir seus passivos, se alinharem o preço da gasolina com o preço internacional a gasolina deverá tranqüilamente ultrapassar os R$4,50 a R$5,50 o litro, causando mais inflação e depressão no país.

A pergunta que se pode fazer é por que quando o barril estava acima de US$100,00 a gasolina estava mais barata, é muito simples, a custo do endividamento da Petrobras, que os próprios que reclamam deste endividamento reclamarão dos preços elevados.


Leia mais