Policial ‘palhaço’ é afastado

Para a Ouvidoria da Polícia de São Paulo, o afastamento do policial militar que aparece em fotos com uma máscara de palhaço e um machado na mão ameaçando um jovem deve ser só o início da apuração do caso. A foto circulou nas redes sociais e nesta sexta-feira (22) o PM foi identificado e afastado.

A Corregedoria da Polícia Militar disse que identificou e afastou o policial que foi fotografado com máscara de palhaço, machado e arma ameaçando um jovem. O nome do agente não foi divulgado. Ele deixou o trabalho operacional e vai responder a processo administrativo.

“Ele tem que ser identificado, ele e seu companheiros”, disse o ouvidor Júlio César Fernandes Neves. “Obviamente que ele não estava sozinho, e se tiver mais de três não é só apologia ao crime é também formação de bando e quadrilha. Isso daí merece um indiciamento na Justiça comum, uma denúncia e um processo criminal.”

A Corregedoria da PM não divulgou o nome do agente que foi afastado. Disse que ele deixou o trabalho operacional e vai responder a processo administrativo.

A foto foi feita na rua Isabel de Oliveira, no Parque Cerejeiras, na região do Jardim Ângela, na Zona Sul da capital. É uma rua bem tranquila e estreita. A foto foi feita durante a noite, mas agora durante o dia foi bem fácil identificar o local exato dessa foto. O SPTV identificou principalmente por causa de uma lixeira e do que tá escrito no muro.

Um morador que não quis se identificar criticou a ação dos policiais. “É uma coisa incomum, né. Isso aí não pode acontecer, principalmente no caso de autoridade. Eles têm que ter assim pelo menos a dignidade de trabalhar e respeitar. Não pode ser daquela maneira não”, afirmou.

Sobre o menino que aparece nas fotos, a polícia informou somente que ele já foi identificado.

De acordo com Luiz Carlos dos Santos, membro do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), as imagens que circulam via WhatsApp mostram o policial fardado diante do rapaz negro foram feitas na Rua Isabel de Oliveira, na região do Jardim Ângela, na Zona Sul da capital paulista. A via fica numa travessa da Estrada do M’Boi Mirim.

“O Condepe recebeu denúncias anônimas que apontaram essa via como sendo a que aparece nas fotografias que são compartilhadas na internet”, disse Santos nesta terça-feira (19) ao G1. “Recebi informação de que nessa rua tem a mesma inscrição ‘chor…’ que aparece no muro das fotos”.

De acordo com o representante do Condepe, o Conselho pretende repassar nesta segunda-feira a denúncia sobre o nome da rua para a Corregedoria da Polícia Militar (PM). A Corregedoria apura o caso após o site “Ponte Jornalismo” publicar reportagem com as fotos do PM mascarado na quinta-feira (14).

VIOLAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS

Na semana passada, a Corregedoria da PM havia informado que as imagens do PM mascarado sugerem “grave violação de direitos humanos.” Segundo a corporação, caso sejam confirmadas as irregularidades, “os envolvidos poderão ser processados criminalmente e expulsos da Polícia Militar”.

As fotografias estão circulando nas redes sociais do aplicativo de celular com a seguinte descrição: “Tem tatuagem de palhaço, mas quando vê um na frente fica com medo”. Segundo a polícia, alguns criminosos que tatuam palhaços no corpo querem passar a informação de que são matadores de policiais.

Para a Ouvidoria e o Condepe, as fotografias incitam ao crime ao sugerirem que policiais devem amedrontar suspeitos e pessoas. De acordo com o Código Penal, a pena prevista para isso é de detenção de três meses a seis meses ou multa.

A Corregedoria quer saber ainda se o PM, que usa a máscara de palhaço, fazia abordagem de um suspeito ou se estava fazendo uma brincadeira armada entre policiais militares. Também será apurado se o PM mascarado costumava agir amedrontando pessoas na Zona Sul.

(G1)