Polícia identifica 10 ‘animais’ que, supostamente, cometeram crimes contra Joanna Maranhão na internet

Na última terça-feira, depois de ser eliminada na prova dos 200 metros borboleta nos Jogos Olímpicos do Rio, Joanna tornou pública uma série de ofensas e ameaças que vinha recebendo durante os últimos dias. “Não é possível alguém desejar que você seja estuprada ou que morra. Não precisa gostar de mim, mas é necessário ter respeito”, disse ela na época, chorando bastante.

Joanna já havia avisado que tomaria medidas legais contra os agressores. A nadadora sempre teve uma postura política forte, o que incomoda muita gente com o pensamento diferente do dela. Ela também já revelou que foi abusada sexualmente na infância por um ex-treinador.

SUSPEITOS

A delegada Daniela Terra, da Delegacia  de Repressão aos Crimes de Informática, disse que já identificou dez pessoas que postaram comentários ofensivos da página da nadadora Joanna Maranhão. Eles podem responder pelos crimes de ameaça,  injúria, difamação e incitação ao crime.

A nadadora registrou ocorrência do caso na Policia Civil, nesta sexta-feira, 12. Ela prestou um depoimento, de cerca de uma hora na Cidade da Polícia, no Jacaré, zona norte do Rio. 

O advogado da atleta, Fabiano Machado, entregou à Policia cerca de 250 cópias de mensagens com insultos contra a atleta. Trinta foram mais ofensivos. A delegada disse que vai solicitar a quebra de sigilo de dados dos autores. 

“A grande maioria dos comentários foi ofensiva. Vamos identificar todos os autores, e eles serão intimados a depor”, afirmou a policial. 

Joanna disse que recebeu comentários ofensivos não por seu desempenho na Olimpíada, mas por suas “posições políticas”. “O que mais me preocupou foram os comentários usando a questão do estupro e as tentativas de desqualificar as pautas  progressistas que eu defendo, tirando-as do contexto. Isso me magoou bastante. Questionar a minha performance, sinceramente, eu não ligo, porque sei o valor que tenho como atleta”, disse a atleta.

Joanna afirmou que também recebeu mensagens de apoio do público. “Recebi muito carinho e costumo dizer que, quando eu vou para rua, parece que essas pessoas que me ofenderam não existem, não tem rosto, só ficam atrás de um computador. Eu não quero que outros casos apareçam ou que pessoas sejam inibidas de se posicionar politicamente porque existe um grupo que acredita que a internet é impune – e não é. Está dentro de mim a vontade de fazer a diferença e de me sentir útil”, disse.

(Estadão Conteúdo)


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