Paulo Nogueira: A entrevista de Cabrini com Cunha foi uma melhores coisas do jornalismo moderno brasileiro

DCM – A entrevista de Cabrini com Cunha foi um dos melhores programas jornalísticos dos últimos tempos.

No todo, ele foi extraordinariamente revelador pelo que foi dito e pelo que não foi dito.

A principal revelação é: se Cabrini foi capaz de chegar a Claudia Cruz, como Moro pôde fracassar miseravelmente?

Isso mostra o medo de Moro. Moro se acoelhou e se acoelha diante de Cunha, como toda a República, aliás.

O que é dito também impressiona em vários momentos. Claudia Cruz tenta justificar que não gastou dólares de contas secretas numa academia de tênis americana porque não sabe jogar tênis.

Ora, há multidões de alunos dessas academias que as procuram exatamente por não saber jogar. É para aprender e, claro, depois se gabar para amigos e para amigas.

Menos surpreendente foi a facilidade com que Cunha, mais uma vez, mentiu sobre as contas na Suíça. Repetiu a mesma lorota que não engana ninguém. Disse que o dinheiro de lá era fruto de negócios que fez há mais de trinta anos.

Que negócios um zé-mané faria aos 20 anos para se tornar milionário? É uma das desculpas mais cínicas que os brasileiros já ouviram.

A propósito das contas, lembremos que devemos a exposição delas não a Moro, não à Lava Jato — mas aos suíços. Dado o pavor de Moro, ele jamais teria ido atrás de nada que pudesse comprometer Cunha.

Do ponto de vista do que foi visto, mas não dito, impressiona também a casa de Cunha num condomínio de luxo do Rio de Janeiro.

Recentemente, a imprensa classificou um apartamento classe média em que Dilma vai morar no Rio como sendo de “luxo”.

O que dizer do casarão dos Cunhas?

Definitivamente, ele é uma prova em si de uma vida dedicada à corrupção. Não é compatível com o dono de um salário de deputado federal.

Num mundo menos imperfeito, a polícia bate lá e põe algemas no dono porque existe dinheiro sujo por trás. Cunha jamais se preocupou em preservar as aparências, certo de sua impunidade.

Claudia jamais se perguntou de onde vinha tanto dinheiro do marido? A resposta dela conta tudo sobre um casal que simboliza a ladroagem nacional: “Não. Se perguntasse, não estaria aqui ao lado dele.”

São Eduardo e Claudia. Poderiam ser Bonnie & Clyde.