Patrícia Miguez: Quem vai pagar o pato?

Um dos maiores símbolos dos protestos pró-impeachment era um pato, financiado pela FIESP, com a frase “Quem vai pagar o pato?“. Pato esse que, inclusive, foi plágio de um artista europeu, mas divago.

Obviamente, este golpe parlamentar que ocorreu no Brasil precisou de verba pra ter ocorrido: carros de som, patos, pixulecos, militantes de movimentos com siglas de 3 letras e parlamentares a serem comprados custam caro. Sim, é muito claro que o golpe teve padrinhos e eu lhes digo exatamente quem: grandes empresários; aquele famoso 1% que detem 99% da renda. Vários sobrenomes muito conhecidos que eu não vou citar porque não estou a fim de gastar com advogados. Vocês sabem quem.

O motivo do golpe vocês também já sabem: direitos trabalhistas básicos estavam custando muito caro aos bolsos dos grandes milionários, que estavam começando a lucrar bilhões a menos e tendo que cortar o número de Ferraris em suas garagens de 20 para 18, além de terem que reduzir o número de viagens para Miami de três por mês para apenas duas. Além disso, a classe média estava sofrendo demais ao ter que tirar seus filhos de colégios com mensalidades de 5 dígitos para outras mais pobrinhas, de 4.

Foi essa gente que patrocinou o golpe. Claro, no processo, arrebanharam alguns que deram tiro no próprio pé, os famosos pobres de direita (e, aqui, como pobre, incluo todos que não são banqueiros, latifundiários, donos de marcas milionárias ou de emissoras de TV – ou seja, 99,9999% de chance de qualquer um estar nesta lista, me incluindo). Mas sem o patrocínio da elite, não teria ocorrido.

E eles vão cobrar. E quem vai pagar o pato?

NÓS.


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