Patrícia Miguez: Precisamos (NÃO) falar sobre o Bolsonaro

Eu sei que o título deste post é bastante paradoxal, para não falar contraditório, porque eu estou aqui justamente para falar do Bolsonaro. Mas sinto necessidade de abordar o assunto.

Se tem algo que as eleições norte-americanas nos ensinaram é que dar corda para figuras abomináveis e fascistas não tem nenhuma chance de acabar bem. A extrema direita de qualquer lugar do planeta sente sempre uma necessidade de ter heróis: os atuais brasileiros são Sérgio Moro e Bolsonaro. Isto nunca, nunca acaba bem.

Mas a questão é um pouco mais profunda que isso: figuras como Donald Trump e Bolsonaro hoje não teriam um quinto de sua popularidade se não se falasse tanto nelas. Cada vez que Bolsonaro abre sua boca para proferir os absurdos habituais, eles repercutem em todos os portais, páginas e fóruns de discussão; há 5 anos praticamente não se ouvia falar em Jair Bolsonaro, sendo que ele está em seu sexto mandato.




Toda vez que nós, progressistas, falamos sobre algo feito por aquele-que-não-nomearei-mais, levamos seu nome a ser mais e mais comentado. E sinceramente? É isso que querem aqueles que o chamam de “mito”: são pessoas que não entendem um mínimo de como funciona o cenário político do Brasil. Que querem, simplesmente, ver o circo pegar fogo.

Quanto mais falamos sobre os absurdos deste homem, mais pessoas fascistóides descobrem que ele existe e correm o risco de se identificar com ele.

Este ser precisa ser ignorado. Cair no ostracismo. Se tornar irrelevante. Deixem que lata sozinho, som não se propaga no vácuo.