Patrícia Miguez: Precisamos defender a laicidade do Estado

Que estamos vivendo tempos sombrios é um fato óbvio, e os casos de intolerância religiosa registrados nos últimos anos são apenas uma das muitas facetas destes tempos.

O Brasil é, em teoria, um Estado Laico: mas, realmente, apenas em teoria. Dados do início do ano mostram que o número de denúncias de casos de intolerância religiosa só aumentaram, o que é extremamente alarmante. Estamos falando não apenas de agressões verbais, mas também físicas e até mesmo de casos de templos vandalizados ou depredados. As maiores vítimas são as religiões afro, como a umbanda e o candomblé e outras religiões pagãs como a Wicca.

Também é problemático o preconceito que ateus e agnósticos sofrem, obviamente, pois num Estado Laico a garantia de liberdade para a prática de qualquer religião (ou nenhuma) deve ser garantida.

Além dos casos de preconceito ou agressão, devemos levar em consideração que as leis federias não devem, de forma alguma, se basear em preceitos religiosos. E estamos falando de um país que, mesmo sendo teoricamente laico, tem uma bancada evangélica apenas. Questões como a legalização do aborto, direitos LGBTs e reprodutivos em geral são discutidos à sombra da influência cristã. E religião não se mistura com política.

Lutar pelo Estado Laico é lutar pelos direitos humanos. E esta é uma luta de todos, independente da religião (ou falta dela). 

Denúncias de casos de intolerância religiosa podem e devem ser denunciados ao Disque 100. Faça sua parte.


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