Patrícia Miguez: Os tempos sombrios chegaram

Tem uma filosofia que levo para a vida, e é mais ou menos a seguinte: o primeiro passo em direção à resolução de um problema é admitir sua existência. Tentar enterrar a cabeça como um avestruz e fingir que está tudo bem (quando claramente não está) é caminhar mais ainda na direção contrária, a do problema.

Digo isso porque precisamos admitir nossa derrota: perdemos. Nós perdemos. E por “nós”, estou muito longe de me referir à esquerda. Perdemos, nós, o povo brasileiro.

Perdemos com a PEC da Morte, com as futuras “revisões da previdência” (aspas, aqui, pois o único nome correto para isto é um: direitos sendo tirados), com “reformas trabalhistas” (checar parênteses anteriores). E perdemos, principalmente, pelo fato de que perdemos o direito ao protesto, pois este será respondido com bombas e repressão policial, no melhor estilo AI-5.




Aos poucos, a população paneleira começa a perceber que este governo não defende seus interesses. Admitir que erraram? Jamais. Acusam o governo golpista de “traição”; acreditam, plenamente, que não têm responsabilidade nenhuma pelo que está acontecendo. Mas reclamam.

Precisamos ser aqueles a lembrar cada um destes paneleiros que levantam a voz para reclamar do fato de que nunca vão se aposentar, que a saúde e a educação ficarão ainda mais sucateadas e que estamos, de fato, caminhando rumo à escuridão, de que a culpa é deles. Nós avisamos!

Só que, diferentemente dos avestruzes precisamos, em primeiro lugar, admitir a derrota; em segundo, tomar atitudes. Precisamos retomar o controle do nosso país. E, para isso, precisamos primeiro fazer estas pessoas admitirem sua responsabilidade e se juntarem a nós. Precisamos todos, todos nós, lutar pelo fim deste governo de retrocessos.

Quem sabe desta vez nos escutam.