Patrícia Miguez: É hora de reconhecer – estamos no fundo do poço

A esquerda está quebrada em mil pedacinhos e é hora de juntar os cacos: não nos sobrou muito e esta eleição foi mais um passo do golpe com o objetivo de destruir o que o progressismo construiu até aqui.

São Paulo elegeu Doria já em primeiro turno. Mesmo que Haddad tenha sido reconhecido como um dos melhores prefeitos do mundo e realizado mudanças essenciais na cidade. Mas, não, o paulistano preferiu eleger uma figura como Doria, que representa tudo o que há em termos de retrocesso.

Curitiba optou por Greca, aquele que tem nojo de pobre. O grande problema é que a outra opção, Ney Leprevost, era tão ruim quanto: o segundo turno na capital paranaense foi uma tragédia para qualquer progressista já que simplesmente não havia em quem votar. Isso para não mencionar outras capitais.

Mas foi no Rio a decepção final: Freixo representava a última faísca de esperança da esquerda; e não apenas porque suas propostas eram ótimas (e seu passado não o condena, muito pelo contrário), mas porque Crivella é tudo de pior possível: um pastor da Universal, machista e retrógrado.

E a derrota de Freixo ilustra perfeitamente o que é necessário para recriar a esquerda no Brasil. A razão para isso é que, curiosamente, o psolista teve a maior quantidade de seus votos justamente em bairros da zona sul carioca, que são os mais nobres. E aí chegamos no ponto de que precisamos voltar a dialogar justamente com estes eleitores.

A esquerda precisa largar o academicismo; precisa falar a língua de todos e, principalmente, ir até quem mais precisa dela.


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