Ontem, a medicina gritou ‘Fora, Dilma’, hoje, chora pelas bolsas de residência congeladas por Alckmin

O movimento dos médicos residentes que atuam em hospitais mantidos pela Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo completou hoje (17) uma semana. Desde o último dia 10, o atendimento é parcial, somente para os casos mais graves, em que o paciente corre risco de vida. Participam da mobilização os 6.600 residentes vinculados ao serviço estadual.

De acordo com a Associação dos Médicos Residentes do Estado de São Paulo (Ameresp), eles reivindicam o pagamento da correção de 11,9%, que deveria ter sido feito pelo estado em março, conforme determinação da Portaria Interministerial n° 3, de 16 de março de 2016, resultado de acordo firmado no final de 2015, após movimento nacional pela valorização da residência médica, com paralisação que durou 14 dias.

“Em todo o país, os residentes recebem bolsas reajustadas desde março. Menos no estado de São Paulo”, disse o diretor presidente da Ameresp, Flávio Taniguchi.




O governo de Geraldo Alckmin (PSDB) nega que haja paralisação. Por meio de nota oficial enviada pela assessoria de imprensa, a Secretaria da Saúde informou que “até o momento não teve registro de paralisação de residentes.” E que, “mesmo se houver, não deverá afetar o funcionamento das unidades, uma vez que o atendimento prestado pelos residentes sempre é supervisionado por um médico”.

Com relação ao reajuste reivindicado pelos médicos residentes, o governo tucano afirmou já ter solicitado ao Ministério da Saúde e da Educação repasses para “poder atender o aumento no valor da bolsa dos residentes”.

No entanto, não é o que dizem os médicos. “Acumulamos perdas inflacionárias de 23% desde o final de 2015. Já tivemos diversos encontros com o secretário (David) Uip, que já se comprometeu a reajustar. No entanto, o tempo passou e agora a resposta que temos é que faltam recursos”, disse Taniguchi.

Além da paralisação, os residentes têm realizado manifestações para esclarecer a população sobre as causas do movimento, que além da questão das bolsas congeladas ainda enfrentam dificuldades, como a falta de insumos para procedimentos e cirurgias. “É uma situação que prejudica o paciente, que precisa de cuidados adequados, e o residente, que tem sua formação prejudicada”, destacou o dirigente da Ameresp.

Ontem, após atos no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia e no Hospital do Servidor Público Estadual (Iamspe), eles foram à Assembleia Legislativa em busca de apoio. Foram recebidos pelo chefe de gabinete do presidente da Casa, o deputado Fernando Capez (PSDB). Os manifestantes conseguiram agendar participação no Colégio de Líderes para o próximo dia 29.

Amanhã serão realizados atos em frente complexo do Hospital das Clínicas de São Paulo, em Pinheiros, e do Hospital das Clínicas, na USP de Ribeirão Preto. Na segunda, será no Hospital Mário Covas, em São Bernardo do Campo, na região do ABC.

Ao todo, são 13 mil médicos residentes em todo o estado, atuando em hospitais estaduais, municipais e privados. Segundo a Ameresp, a residência médica, que forma profissionais para todas as especialidades da medicina, dura de dois a cinco anos, conforme o programa de especialização. O valor da bolsa é de R$ 2.900, sem descontos, por uma jornada de 60 horas semanais, que podem ser diluídas em plantões noturnos ou em finais de semana.

Via RBA


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