Onda azul de hipocrisia

patyLuciana Oliveira

O resultado das eleições pra prefeitos e vereadores é um impressionante contraste no comportamento do brasileiro nos últimos dois anos.

De mobilizações gigantescas que pediram ética na política e cadeia aos corruptos, o brasileiro acomodou-se ao berço esplêndido do PSDB, partido entre os mais envolvidos em esquemas de corrupção.

Pois é, o país foi tomado pelo que os militantes chamam de ‘onda azul’ e o PSDB foi o segundo partido que mais elegeu prefeitos e o primeiro no segundo turno das eleições municipais. Os tucanos têm agora 14 prefeituras de 19 que disputou.

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Praticamente na véspera da votação em segundo turno, a Folha de S. Paulo denunciou que “delações da Odebrecht teriam apontado dois nomes como operadores de R$ 23 milhões (R$ 34,5 milhões, corrigidos pela inflação) repassados pela empreiteira via caixa dois à campanha presidencial de José Serra na eleição de 2010. Parte do dinheiro foi transferida por meio de conta na Suíça, em um acerto com o ex-deputado federal Ronaldo Cezar Coelho, ex-PSDB e hoje no PSD, que fez parte da coordenação política da campanha.”

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) foi identificado na delação da maior empreiteira do País como o “Santo” das planilhas da construtora.

E daí?

PREFEITO ‘NOVATO’, COM QUINQUILHARIA DA POLÍTICA

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Em Porto Velho (RO) venceu a disputa pela prefeitura com 65,43% dos votos o tucano, Hildon Chaves, ex-promotor, o milionário empresário no ramo da educação.

Durante a campanha a imprensa revelou que o candidato que se dizia não-político na verdade é sócio da esposa do presidente do PSDB em Rondônia, o ex-senador Expedito Júnior que teve o mandato cassado à unanimidade.

Deu no O Globo:
“De acordo com o TRE, o senador comprou votos de funcionários de uma empresa de segurança que pertence ao seu irmão Irineu Gonçalves Ferreira. Os funcionários teriam recebido R$ 100 cada um para votar na coligação de Expedito e para convencer seus familiares a votar na mesma chapa política. A quantia foi depositada na conta corrente de vários funcionários, em 29 de setembro de 2006, às vésperas das eleições em 1 de outubro daquele ano. Com base nesses depósitos ficou mais fácil a comprovação da compra de votos por parte da Justiça Eleitoral.”

O vice do tucano é Edgar do Boi, citado no levantamento do De Olho Nos Ruralistas, um observatório do agronegócio e da política no Brasil que oferece análise de notícias e informações com ênfase nos impactos sociais e ambientais. Ele aparece como um dos candidatos pecuaristas que disputaram as eleições e que integram o chamado Arco Político do Desmatamento.

“Trinta e um candidatos a prefeito e vice-prefeito em 2016 possuem pelo menos 466 mil hectares – quase o território da Cisjordânia, na Palestina – nos municípios que mais desmatam no Brasil. Um entre cada três candidatos são pecuaristas, na região onde a pecuária é a principal vilã do desmatamento.”



A LIÇÃO PARA O PROFESSOR

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O professor da Universidade Federal de Rondônia (Unir), Samuel Milet, que que chamou em sala de aula a advogada e doutoranda da UnB Sinara Gumieri de ‘vagabunda’ e ‘bostinha’ após uma palestra sobre gênero na Semana de Direito, jamais esquecerá da lição que levou de uma aluna.

“Aquela vagabunda, entendeu? Defensora de aborto, de gênero. Vagabunda. Mande pra ela me processar, que eu provo que ela é.”

Foram essas as palavras escolhidas pelo professor Samuel Milet, do curso de Direito da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), na última quinta-feira (20), para se referir à Sinara Gumieri, advogada e mestra em Direito pela Universidade de Brasília (UnB) e pesquisadora da Anis – Instituto de Bioética.




Uma estudante que preferiu não ser identificada, gravou um áudio de 15 minutos da conversa em sala de aula a pedido do próprio professor.

Milet demonstrou se sentir incomodado pela exposição da palestrante e usou as palavras “bostinha” e “cocô” para se referir à advogada.

O Ministério Público Federal (MPF) deu prazo de cinco dias para a universidade responder se vai ou não apurar a falta disciplinar cometida pelo professor.

Já receberam a recomendação a Reitoria da Universidade, a Comissão Permanente de Processo Disciplinar, a Comissão de Ética Pública, a Comissão de Estágio Probatório e ao Departamento de Ciências Jurídicas da instituição.

O professor está em estágio probatório e a pressão é grande para que não seja efetivado.

A Defensoria Pública da União (DPU), Defensoria Pública do Estado (DPE), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e pelo Conselho Estadual de Direitos Humanos manifestaram repúdio e cobram apuração do fato.

Na imprensa nacional e nas redes sociais o caso repercute ainda mais com a campanha: #Isso não é Direito.

Saiu até no Fantástico.

RIO, BRAÇOS CRUZADOS SOBRE A GUANABARA

cristo

Bem-vindo à República da Hipocrisia Universal do Reino de Deus!
Irmãos, não temam!
Bolsonaro, Bolsonaros babys, Garotinho, Eduardo Cunha….
Encarem mais essa provação, Crivella!
Bem aventurados os anjos caolhos de Alceu Valença, que dormiram no passado, olharam pro futuro e disseram que não, nãoooooooooooo!

É isso, mas não tirem meu tubo, quero ver onde vai dar essa nova ‘transição’ na política brasileira.

O ar está irrespirável, as pessoas estão envenenadas, mas tenho como alento a playlist do Alceu Valença no Deezer.


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