Olhai por nós

“Olhai por nóis”, mas quem seriam esses nós?

Faz uma semana que o prédio Pateo do Collegio foi pichado em São Paulo e o mais impressionante foi como a mídia se preocupou em mostrar os pichadores, a forma como eles abordaram os moradores de rua, e claro, o ato em si.

A mídia montou o seu circo e as emissoras mostraram cidadãos indignados com o ato de vandalismo em uma paisagem turística…

Eu recentemente estive em São Paulo, e me assustei com a quantidade de moradores de rua. E enquanto nesse dia São Paulo registrava uma das madrugadas mais frias do ano, os olhares foram focados na pichação, mas não em seu significado.

O mais vergonhoso não é apenas essa faixada ser manchada de vermelho, mas sim os moradores em situação de rua viverem dormindo aos pés de um dos monumentos históricos de São Paulo.

Passamos por um processo hostil de banalização da injustiça social  onde o cidadão de bem é capaz desviar o olhar para o maior vandalismo ocorrido nesse caso, que é ignorar a condição de vida desses moradores.

Consta no artigo 6º da constituição , que são direitos sociais: “a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a MORADIA, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a ASSISTÊNCIA AOS DESAMPARADOS”.

 “Olhai por nois”, passa a ser muito mais um pedido de socorro ao ESTADO e à SOCIEDADE, do que um ato de vandalismo.

Será que estamos olhando para os verdadeiros problemas sociais ou estamos vivendo de faixada?

Wallace Ouverney é Petroleiro, Dirigente Sindical do Sindipetro-ES desde 2015, e Dirigente Estadual CTB-ES.


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