Não há mais o que fazer, povo brasileiro

“Vamos renunciar coletivamente à Lava Jato caso essa proposta seja sancionada pelo presidente”. Essas foram as palavras de Carlos Fernando Lima, procurador da República, quando se referiu à possibilidade de Michel Temer sancionar o Projeto de Lei que continha as 10 medidas contra a corrupção – sim, continha – pois os deputados desfiguraram a peça original.

É óbvio. O estancamento da sangria está a todo o vapor.

Sérgio Moro pediu autorização para ficar 1 ano nos Estados Unidos após o fim da Lava Jato – o que prenuncia que o ‘câncer do Brasil’ (poder legislativo) vai conseguir anular todos as conquistas do Brasil com relação ao combate à corrupção.

Sem a presidente eleita, Dilma Rousseff, tudo ficou mais fácil. A operação findar-se-á sem que os ‘capitães’ do Golpe de 2016 (tucanos) sejam punidos, e o caminho ficará livre para o PSDB assumir a cadeira presidencial, com a pecha de que é a legenda mais pura, honesta e reta que existe no Brasil varonil – “fato” que emociona.

Muitos, realmente, acreditam que no PSDB só tem ‘santos’; muitos, não. Mas de que adianta sair às ruas? Os que têm plena consciência de tudo o que está acontecendo no país nunca foram, não são e jamais serão ouvidos por deputados e senadores. 

Temer não tem escapatória. Seja por impeachment, seja por cassação de chapa no TSE ou, até mesmo, por renuncia – hipótese que já circula entre alguns interlocutores do Planalto – ele não chegará até 2018, e ele sabe disso, faz parte do acordo. O eterno interino sabe muito bem que se beneficiaria do impeachment por pouco tempo. 

Independente da via, o poder executivo aguarda um tucano, sem votos – obviamente. Está “escrito nas estrelas”, basta se deitar numa rede no campo e contemplar o céu – sim, ainda o há.

Gostaríamos muito de pedir ao povo brasileiro para se manifestarem contra tudo isso, mas de nada adiantaria, afinal, não vivemos mais num Estado Democrático de Direito, o brasileiro nada fará. O máximo que conseguiríamos seriam as marcas da repressão no corpo “estampadas com vinho tinto de sangue”, com a permissão do mestre Chico Buarque.

É nítido que o Golpe de 2016 levará nosso povo à lona. O que nos resta é assistir ou, talvez, nem isso.

Game over.


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