Não é a primeira vez que grande parte dos analistas políticos tenta matar um partido político no Brasil

Não é a primeira vez que grande parte dos analistas políticos tenta matar um partido político no Brasil. Aqui em Pernambuco, por exemplo, lembro que na época do Escândalo dos Precatórios diziam que o PSB tinha acabado. Em 2002, com a vitória de Lula à Presidência da República, o mínimo que diziam sobre o PSDB é que o partido tucano deveria se reinventar. Aliás, o PSDB passou muito tempo escondendo a figura de Fernando Henrique Cardoso, até que Aécio Neves o recolocou na cena política nacional nas eleições de 2014.

Agora, a bola da vez é o PT. Todos dizem, com uma ou outra exceção, que o Partido dos Trabalhadores acabou. Esquecem que os partidos são formados por políticos e que ninguém mata político vivo. É verdade que hoje, na cabeça de grande parte da opinião pública brasileira, o PT é o fiel depositário de todos os pecados da vida pública do país. Os demais pecadores, como o PSDB, no Brasil, e o PSB no Recife saíram aplaudidos das urnas nestas eleições municipais.




A maioria dos analistas políticos nunca disputou um voto. É difícil para eles compreender o que significa vida orgânica partidária. Subestimam a base social do PT. Não conheço uma cidade do Brasil onde não exista um diretório do PT, um grupo de pessoas empunhando a bandeira vermelha do partido. Esquecem da paixão da militância do PT e esquecem também que é na dificuldade que a alma cresce.

Existe sim uma onda conservadora no mundo que, sem dúvida, chegou ao Brasil. Mas é pueril dizer que, no último domingo (30/10), as urnas enterraram o PT. Muito menos a histórica esquerda brasileira. Como diz o verso de Capiba, “queiram ou não queiram os juízes” o PT vai continuar por muito tempo como o timoneiro da esquerda brasileira.

Os pretendentes a algozes também esquecem que, no caminho para as eleições nacionais de 2018, há uma pedra chamada Lava Jato, que – não tenho nenhuma dúvida – vai bater na cabeça de muita gente, de muitos partidos. Vai ser “sangramento” para todo lado.

Não esqueçam que o sangue é vermelho e de vermelho vive o coração. Sou do Nordeste e sei que no pastoril sempre vai existir o cordão encarnado. Na política, como no pastoril, a esquerda nunca vai desaparecer. No pastoril, como na política, o encarnado vai estar sempre mais próximo do povo.

Silvio Costa é deputado federal pelo PTdoB-PE.


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