Crivella esconde ligação com a igreja Universal em sua biografia

Estadão Conteúdo


Mais votado na disputa pela prefeitura do Rio no primeiro turno, o senador Marcelo Crivella afastou a Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) de sua biografia, mas a Universal não se afastou do PRB, partido do candidato. Os três vereadores eleitos este ano, três dos quatro deputados estaduais e os dois deputados federais do PRB-RJ são da Universal. E também o presidente regional do partido e presidente nacional interino, Eduardo Lopes, suplente de Crivella no Senado.




Crivella disputa o segundo turno com o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), que defende na campanha o Estado laico, o direito das mulheres à opção pelo aborto e a inclusão de casais do mesmo sexo no conceito de família, pontos que têm a discordância do candidato do PRB.

Acusado pelos adversários de misturar política e religião, Crivella omitiu no site da campanha o fato de ser fiel e bispo licenciado da Universal. Nem na seção “verdades x mentiras”, em que responde à pergunta “Edir Macedo vai controlar a cidade?” o candidato menciona a Igreja. O texto diz apenas que Crivella “nunca sofreu nenhum tipo de influência de grupos ou líderes religiosos”.

Edir Macedo, tio de Crivella, é fundador e maior líder da Universal. No primeiro turno, o candidato do PMDB, Pedro Paulo, e seu padrinho politico, o prefeito Eduardo Paes, insistiam que, se eleito, Crivella será “empregado” de Macedo. Pedro Paulo foi derrotado no primeiro turno e está fora da disputa.

“Na sociedade há várias opções de religiões e o Crivella está concorrendo a prefeito da cidade, não a ser autoridade religiosa do Rio de Janeiro”, diz o presidente do partido, suplente de Crivella no Senado e substituto do candidato do PRB no Ministério da Pesca, depois que o senador retornou ao Congresso, em 2014, e disputou o governo do Estado.

“Quem mistura política com religião não é o Crivella, mas os adversários, pois são os que insistem nesta questão”, afirma Eduardo Lopes, que já presidiu o jornal Folha Universal e a editora Gráfica Universal e também comandou a Associação Beneficente Cristã (ABC).

Lopes não vê problema no fato de Crivella não mencionar a Universal em sua biografia. “Os outros candidatos mencionam suas religiões em seus perfis? Por que só Crivella deveria mencionar?”

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