Movimentos com apartidarismo de fachada voltam às ruas

Como bem disse Oscar Wilde, “Os loucos às vezes se curam, os imbecis nunca.”
O alerta vai pra quem tem dúvidas se atenderá a nova convocação ao protesto dos movimentos Brasil Livre e Vem Pra rua ou de qualquer outro que proponha participação.

Com pauta única ‘contra a corrupção’, esses movimentos bizarros iludiram milhares a ir às ruas com o discurso de que tirando Dilma Rousseff e o PT do poder, a moralidade se instalaria.

Foram determinantes na pressão popular que favoreceu o tripé golpista parlamento/mídia/judiciário durante o processo de impeachment.

O apartidarismo de fachada era evidente, mas gente ingênua e de boa fé ignorou e acabou pagando o pato, o animal símbolo dos movimentos patrocinados pelo mercado e por partidos como DEM, PSDB, SD e PMDB.




Como esquecer a foto emblemática da caravana de Kim Kataguiri à Câmara pra saudar e pedir apoio ao deputado cassado, preso há mais de mês, Eduardo Cunha?

E o áudio vazado em fevereiro deste ano, que mostrou Renan dos Santos, um dos líderes do MBL confessando quem bancava as manifestações?

“O MBL acabou de fechar com PMDB, PSDB, DEM uma articulação para eles ajudarem…ah, e também com a Força Sindical do Paulinho… pra divulgar o dia 13 (manifestação) usando as máquinas deles também. Enfim, usar uma força que a gente nunca teve. E foi o MBL que montou isso. A gente costurou agora com todos eles.”

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Esse Renan é o que responde à dezenas de processos que envolvem
ações cíveis e trabalhistas, com acusações que incluem fechamento fraudulento de empresas, dívidas fiscais, fraude contra credores, calote em pagamento de dívidas trabalhistas e por danos morais.

Mas, não só por isso esses movimentos nasceram sem moral.

A presença de políticos do PSDB como João Dória, José Serra, Aloysio e Caiado, Alckmin e Aécio Neves, confirmava que a manifestação contra a corrupção estava mais para uma micareta golpista. Alguns dos políticos réus em várias ações até faziam discurso.

Inesquecível a cena da van que levou a comitiva do PSDB a um protesto na avenida Paulista, de onde saíram expulsos por alguns manifestantes, não por líderes dos movimentos.

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O Vem Pra Rua, outra fraude apartidária, convenceu gente sem noção a participar do golpe contra a democracia e com o mesmo discurso, o do antipetismo pra combater a corrupção.

Um dos líderes foi apelidado por Olavo de Carvalho, um tipo de oráculo da extrema-direita que cobrava mais pressão a favor do impeachment, como “Chequer Semfunds e Talão de Chequer” à serviço da “paumolice tucana”.

Rogério Chequer responde à processo nos EUA, onde viveu como sócio de um bilionário segundo a Forbes e teve seu nome revelado em arquivo secreto do Wikileaks.

Olha o Serra com o Vem Pra Rua! O agora ministro de Relações Exteriores, acusado de ter recebido R$ 23 mi em caixa dois para sua campanha em contas no Brasil e na Suíça, segundo dois delatores da Odebrecht.

O afastamento de Serra do cargo não está na pauta do novo protesto.

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Pois é, os descarados que atraíram milhares de sem noção à manifestações que abrigaram loucos, charlatões religiosos e neonazistas voltam às ruas com outra pauta.

E não inclui o impeachment de Temer, o governo que nomeou mais de 15 ministros investigados e já perdeu 6 por denúncias de corrupção.
Num patético teatro midiático vão simular revolta com a tentativa de anistiar o caixa 2.

Apesar de tudo que foi gravado e revelado na imprensa contra a Lava Jato, eles ainda não reconhecem que o Congresso Nacional agiu e segue agindo em torno de seus interesses e que Temer foi catapultado à presidência para operacionalizar um por um.

Nem mesmo a denúncia do ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, de que Michel Temer o pressionou pessoalmente a praticar o ilícito em favor de outro ministro, o Geddel Vieira, convenceu os líderes do movimento a pedir a renúncia do presidente.

Olha o Geddel em manifestação que declarou:”Ninguém aguenta mais tanta corrupção e mentira do PT.”

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Nas redes sociais, MBL e VPR comemoram a operação abafa do Planalto, Câmara e Senado, que teatralizaram em pleno domingo um pacto contra a anistia a quem praticou crimes por meio de caixa 2.

Na próxima manifestação devem focar nisso: vender a tese de que o recuo se deu pela pressão que ameaçaram fazer nas ruas.

“Pela Lava Jato e contra o jeito CORRUPTO de fazer política”, é a pauta superficial do MBL.

O VPR, que enaltece com vários vídeos em sua página no Facebook o deputado Jair Bolsonaro, convoca a pedir a saída do presidente do Senado, Renan Calheiros, ao apoio à Lava Jato e pelo fim do foro privilegiado.




Ter cometido a loucura de se juntar a essa gente por falta de informação é compreensível, mas imperdoável após descobrir quem são, se misturar novamente.

Eles só voltaram às ruas, porque foram ridicularizados nas redes sociais pelo silêncio com a corrupção de outros partidos e com as mudanças radicais propostas pelo governo golpista, com total apoio do legislativo.

Forçados e pra não perderem massa popular e os privilégios que elas garantiram, ressurgem.

É fundamental desmoralizar os movimentos que difundiram que a corrupção tinha só um culpado: o PT.

Os que nasceram e morreram com a única pauta: Fora Dilma, Fora PT.
Foram descarados e estúpidos.

Serviram unicamente aos corruptos que agora confessam seu plano ardiloso.

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Pra nunca mais vermos figuras como Kataguiri no café reservado a parlamentares no dia da votação do impeachment.

Pra não vermos mais tipos como Alexandre Frota sendo recebido por tipos de ministro da educação com o Mendoncinha.

Pro Lobão vazar pros EUA.

Enfim, pra que nunca mais personagens patéticos, medíocres e serviçais de corruptos virem celebridades.


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