Miriam Galvani: O PT quebrou o país

Senta, que lá vem textão.

Hoje eu me deparei com mais uma postagem “o PT foi o partido político mais corrupto da História”.

Deixei meu pensamento fluir, voltando como um filme à minha infância.

Lembrei-me, era ainda muito pequena, do escândalo envolvendo o então Ministro da Justiça, Ibraim Abi-Ackel (1.983).




A maior parte dos que bradam que o PT foi o partido mais corrupto da história, tratando-se, em verdade, de uma quadrilha, sequer havia nascido naquele longínquo ano de 1.983.

Mas, naquele ano, descobriu-se o então envolvimento do Ministro no contrabando de DEZ MILHÕES DE DÓLARES aos Estados Unidos da América, confessado por um advogado, Charles Haines.

Não voltarei ainda mais no tempo. Não vale a pena, não para este texto. Foi apenas UM exemplo dentre as CENTENAS que eu poderia escrever. Porém, o PT foi o maior partido corrupto da História, não se esqueça de repetir, otário cidadão.

Mas, como penso estar escrevendo para pessoas cultas e de bom senso, um exemplo basta. Sei que muitos cidadãos de bem também estarão lendo este texto. Dedico-lhes.

Na realidade, o que se procura demonstrar é a facilidade com que as pessoas acreditam em algo, desde que a mídia trabalhe bem a massa de manobra, antes.

Quase cem milhões de dólares foi UM DOS DESVIOS DE DINHEIRO do Brasil para outros países, ocorrido naquela época, durante um Governo Militar. Hoje representam R$ 32.100.000,00. Sem incluir, evidentemente, no “débito”, a atualização Monetária e juros, o que elevaria a “dívida” a quase CEM MILHÕES.

Ou seja, uma ponta de um Iceberg, apenas UM dos muitos desvios de dinheiro, que nunca nos será revelado totalmente.

Desde aquela época, desvios escandalosos e fraudes milionárias existem em nosso País, famoso por eleger, a cada tempo e na forma oportuna (para o empresariado e Bancos), um messias.

Lembro-me das Diretas Já.

Da eleição indireta de Tancredo Neves.

De sua morte misteriosa – sim, estou sendo irônica. É óbvio que ele foi assassinado, e nem vou me dar ao trabalho de procurar comprovar essa informação. Uma sala de cirurgia repleta de repórteres é o suficiente para qualquer estudante de Medicina ou Direito com Medicina Legal saber que a quantidade de bactérias no ambiente elevou à máxima potência a possibilidade de, durante a cirurgia, ser o então Presidente da República contaminado – e não foi outro seu destino (http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/tancredo-martirio-morte-434169.shtml).

Entra em cena seu Vice, então José Sarney.  Com a morte de Tancredo, em 22 de abril de 1985 (sugestivo, não? Emocionante o canto de Fafá de Belém do Hino Nacional, hipnotizando a plebe ignara, como diz S. Ponte Preta), o Congresso Nacional declara vaga a Presidência da República e José Sarney é efetivado no cargo de presidente no dia 22 de abril de 1985.

Primeiras eleições diretas pós Ditadura. Fernando Collor faz seu brilhante papel, hipnotizando a massa, com apoio de conhecida rede de televisão.

Vitória da democracia!

Pouco durou, sofrendo o então Presidente Collor a mais vergonhosa perseguição, que culminou em sua renúncia como Presidente.

Assume, sob aplausos da massa verde-amarela, Itamar Franco.

Nem se lembram, porque não nascidos, muitos de nossos brasileiros, dos produtos nacionais, caros, de péssima qualidade.

De nossos automóveis, verdadeiras carroças – como assim definiu Fernando Collor.

Fernando Collor foi o responsável pelo marco do desenvolvimento nacional, ao abrir o Brasil à importação. Ninguém se lembra da  série de Decretos que permitiu aos brasileiros adquirirem, no Brasil, os tão sonhados produtos importados. Aqueles que nós pedíamos aos parentes mais abastados (e que conseguiam viajar aos EUA quando em vez) que trouxessem de suas viagens.

Lembro-me de meu tio e padrinho me trazendo o primeiro “Poison”, de Christian Dior. Que felicidade! Que perfume maravilhoso.

Lembro-me de meu outro tio, que viajava à mando da empresa onde trabalhava, trazendo-me produtos Revlon. Nossa, que status! Hoje, em qualquer farmácia compra-se produtos Revlon.




Devo ter, nesta data, mais de dez perfumes em casa, todos importados. Comprados aqui, comprados em viagens que eu nunca sequer sonhei realizar. Ah, Fernando Collor, como esquecer?

Mas o empresariado brasileiro não esqueceu, e Fernando foi deposto ilegitimamente sob o argumento de envolvimento em esquemas de corrupção.

Faço notar que Fernando foi absolvido no Supremo Tribunal Federal das acusações que contra ele pesavam.

Veio então Fernando Henrique. Esse, sim, admirado pelo empresariado brasileiro.

Privatizou a preço de banana muitas de nossas empresas, notadamente a Vale.

Eleito em segundo mandato, não conseguiu manter o que vinha, às escâncaras, e à burla de legislação, manter o dólar a R$ 1,00.

Em fevereiro de 1.998, o dólar atingiu seu preço máximo no Brasil: R$ 4,00.

Atualizado, em 1.998, o dólar valia R$ 13,66.

É isso mesmo, caro leitor.

Fosse hoje, o preço do dólar seria de R$ 13,66.

Porém o mais importante é culpar o PT pela alta do dólar, pelo desemprego, que entre 1.994 a 2.002 girou em torno de 12,6%.

O desemprego, hoje?

Não importa, mesmo que seja de 10,2%.  Publicou o “G1”, das Organizações Globo: “Edição do dia 20/04/2016

21/04/2016 00h57 – Atualizado em 21/04/2016 02h07

Desemprego no Brasil chega à maior taxa da série histórica do IBGE

Em números absolutos, são 10,4 milhões de desempregados.
É a maior taxa da série histórica do IBGE, que começa em 2012.”

O desemprego no Brasil passou dos dois dígitos no país. 10,2% dos trabalhadores estão fora do mercado, sem ocupação. É a maior taxa da série histórica do IBGE, que começa em 2012.”

Ou seja, a taxa de desemprego é MENOR do que a vivida entre 1998-2002, porém “é a maior taxa de desemprego já vivida”.

E, como o brasileiro não tem o hábito de ler e apreender a leitura, qualquer coisa que se escreva é imediatamente acreditada, e pobre daquele que tentar mostrar a História à plebe ignara. É imediatamente taxado de “petralha”, “comunista”, e mesmo exposto ao perigo de agressões.

Não foram poucas as noticiadas pela mídia, sempre com o apoio da plebe ignara.

Há quem se lembre que, antes das eleições de 2.014, nenhum cenário catastrófico era noticiado de forma repetida em quase todos os meios de comunicação, todos os dias, salvo alguns meios de extremo bom senso e que não se deixaram contagiar – ou contaminar – pelo rancor demonstrado por certas classes – ditas “classes superiores” – ao perceberem que seu candidato não vencera as eleições.

Foi a partir desse momento que os ataques, diários, começaram.

Vou me abster de comentar quaisquer desses ataques ou decisões judiciais as quais tenho enormes críticas, que não são objeto do texto.

O texto se presta a demonstrar ao caro leitor o abismo a que todos nós fomos empurrados.




“O Brasil está falido!!!!”

“O PT faliu o Brasil!!!!”

“Não há dinheiro!!!”

Porém, há dinheiro para aumento de 41% nos salários do STF, que cairá como uma bola de neve, aumentando os salários de todo o Poder Judiciário Brasileiro.

Também há dinheiro para empréstimo ao FMI – este que em muito auxiliou o impeachment.

O impeachment, que ocorreu MESMO COM LAUDO DECLARANDO NÃO HAVEREM OCORRIDO AS CHAMADAS “PEDALADAS FISCAIS”.

E chegamos, finalmente, à PEC 241.

Que congela investimentos na saúde e educação por VINTE ANOS.

Que congela salários de funcionários públicos e aposentadorias dos mesmos.

E o cidadão de “classe superior” aplaude, massa de manobra farta e fácil que é, sob o argumento de que “é necessário, pois o PT quebrou o Brasil”.

O mesmo Brasil que reajusta em 41% salários de alguns servidores.

O mesmo Brasil que empresta dinheiro ao FMI.

É deste Brasil “quebrado” que falamos?

Ou há outro, meu desconhecido?

Não sei.

Sei apenas que, quando você, plebe ignara, sofrer um acidente, seja em via urbana, seja em rodovia, daqui a dez anos, como os investimentos estão congelados, não haverá uma ambulância para socorrê-lo.  

Não se esqueça, AS AMBULÂNCIAS QUE SOCORREM AS PESSOAS SÃO O CHAMADO SAMU – PÚBLICAS, PORTANTO.

Mesmo que uma boa alma se apiede de você (e será este um anjo, posto que mover acidentados é terminantemente proibido, podendo o responsável por tal ato ser processado civil e criminalmente), ele o levará ao Pronto Socorro.

Não, cidadão otário, NENHUM HOSPITAL O RECEBERÁ.

E não o receberá pela excelente razão de que ele não sabe quais são os seus ferimentos e se ele possui suporte para atendê-lo. Tudo isso seria verificado na triagem que o SAMU realiza durante o atendimento, que já direciona o cidadão otário ao hospital que possui suporte para atendê-lo.

E você irá parar no Pronto Socorro.

Mas espere, QUE PRONTO SOCORRO?

Há dez anos não há investimentos lá.

Não há leitos, não há medicamentos, não há médicos. São os mesmos de dez anos atrás, muito embora sua cidade tenha registrado crescimento nesse período. Ah, você irá me dizer que AGORA não há leitos, ou médicos, ou medicamentos. Espere dez anos para ver a VERDADEIRA CATÁSTROFE QUE VOCÊ, CIDADÃO OTÁRIO, ajudou a criar, ao aplaudir um impeachment indecente, uma PEC que lhe retira todos os direitos, a venda do nosso petróleo a preço de banana – novamente, por um “salvador da pátria”, por você apoiado.

Ah, alguém lembrou-se de um artigo do Código Penal sobre omissão de socorro, para justificar que se pode, sim, socorrer a pessoa.

Engano seu, otário da vez.

Citado artigo diz: Art. 135 – Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública:

Pena – detenção, de um a seis meses, ou multa.

Parágrafo único – A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e triplicada, se resulta a morte.

Ou seja, qualquer pessoa “se livra” da omissão de socorro telefonando para o 190 ou 192. Assim. Simples.Fácil. Rápido.




O cidadão massa de manobra? Vai morrer no meio da rua, a polícia civil será acionada, virá no dia seguinte (não se esqueça de que não foram feitos investimentos públicos, a polícia civil está com falta de funcionários), o cobrirá com a famosa lona preta até que o perito legal chegue (isso se ele puder vir no mesmo dia, não se esqueça que não há concursos, e faltam peritos).

Você será deixado à curiosidade pública até que toda a burocracia seja cumprida.

Finalmente, dois dias depois, você será entregue a seus familiares.

Que não terão dinheiro para o enterro, posto que os salários estão congelados, mas lembre-se: OS PREÇOS, NÃO.

Lhe parece fútil, sem sentido e muito raso este texto?

Sim, o texto é apenas um apanhado geral, um tudojuntomisturado, mas servirá, tenho certeza, de lembrança amarga quando, na fila do INSS, você for informado que seu “benefício” demorará um ano para ser “deferido”. Não há funcionários, os computadores não funcionam, a contagem de tempo será feita manualmente.

E como vou viver este tempo todo?, você se perguntará.

Volte dez anos e releia este texto – agora não com esse sorriso de escárnio e deboche, mas chorando.

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Miriam Galvani, advogada militante em São Paulo e Minas Gerais, procuradora do município de São Sebastião do Paraíso-MG, especializada em processo penal, ambiental e direito do consumidor.


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