Ministério Público denuncia, mas não apresenta provas contra o ex-presidente Lula

O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) concedeu uma entrevista coletiva no salão verde da Câmara para esclarecer a denúncia feita contra o ex-presidente Lula pelo Ministério Público Federal.

O parlamentar lamentou o ocorrido. Afirmou que setores do MPF perderam completamente a isenção, que se transformaram em um partido político com a finalidade de acabar com a carreira de Lula e do partido dos Trabalhadores.




Pimenta também disse que os procuradores não apresentaram nenhuma prova, mas, sim, uma tese que parte de um pressuposto.

“Dr. Dallagnol fez apresentação de uma tese que parte de um pressuposto ilegal, ele busca um culpado e, a partir dessa culpa do presidente Lula, desenvolve uma tese para justificar o seu ponto de vista”, disse.

O deputado lembra que os procuradores culparam o atual sistema de governabilidade para a aprovação de projetos com base em propina, porém, esqueceram-se de que esse sistema existe há muito tempo.

“A mesma base política que deu maioria pro presidente Lula foi a mesma base que deu governabilidade para FHC por oito anos”, lembrou.

Pimenta ainda ratificou que empresas envolvidas e denunciadas nesse esquema já participavam de processos ilícitos em governos anteriores e criticou o que os procuradores chamaram de “república da propina”.

“Se era a propina que determinava qualquer votação da base aliada, isto lhe permite, então, imaginar que a indicação para os ministros do Supremo Tribunal Federal, para os ministros do Tribunal de Contas da União, para os ministros do Superior Tribunal de Justiça, foram realizados, também, nessa mesma lógica”, afirmou.

Ele criticou o Dr. Dallagnol que – a exemplo do juiz Sérgio Moro – se insurge contra um projeto de país representado pelo partido dos trabalhadores.

O petista lembrou que as empresas envolvidas na denúncia contra o ex-presidente sãos as mesmas que atuam nos governos estaduais, como os de SP e MG, que tiveram longos períodos de gestões do PSDB – inclusive.

“Se estas empresas para adquirirem contratos pagavam propina pro governo federal, e, por conta disso, remuneravam agentes públicos, de maneira legal ou ilegal, por que razão eu teria que acreditar que estas mesmas empresas não mantém essas mesmas práticas nos contratos que detém há décadas nos governos estaduais, capitaneados – especialmente -, pelo PSDB, pelo PMDB, pelo DEM e assim por diante?”, questionou.

O deputado afirmou que a denúncia é uma falácia devido à criação de uma tese ilegal e irreal e que o presidente Lula não pode ser responsabilizado por uma lógica perversa de um sistema que funciona há décadas; como se o ex-presidente fosse o responsável por todos os erros cometidos em todas as instituições do executivo, do legislativo e do judiciário.

Para Pimenta, fica claro que o objetivo do MPF é prejudicar a imagem do principal líder popular do Brasil nas últimas décadas e a principal liderança para as eleições de 2018, e que tudo isso faz parte do Golpe de 2016, não bastou – somente -, apear a presidenta eleita, Dilma Rousseff.

Um repórter – da Jovem Pam, é claro! – questionou o parlamentar se o “ministro” Sérgio Moro vai aceitar a denúncia. Pimenta corrigiu o jornalista dizendo que Moro é apenas um juiz de primeira instância, e não ministro, também lamentou a seletividade do magistrado, que não conseguiu encontrar o endereço da esposa de Eduardo Cunha, mas ataca a dona Marisa de maneira irresponsável.

Questionado sobre os procedimentos que o partido vai adotar, Paulo Pimenta disse que vai denunciar os abusos e a seletividade na justiça.Também afirmou que a perseguição contra Lula e Marisa aumentou exponencialmente após o o ex-presidente ter ido à ONU denunciar o que está acontecendo no Brasil.

“Queremos avisar que vamos à todos os foros internacionais, à ONU, à OEA, para denunciar aquilo que nós consideramos uma perseguição política ilegal e criminosa, que o presidente Lula está submetido – no Brasil – por uma parcela do aparato do Estado representados por segmentos do Ministério Público Federal, da justiça federal, da Polícia Federal, da Receita Federal e do silêncio conivente de setores do poder judiciário, de escalões superiores, que não agem no sentido de coibir esses abusos”, afirmou.

O parlamentar disse que a história do triplex é ficção, a denúncia é fraca, frágil e que será desmontada pela defesa do ex-presidente.

“A história do triplex é absurda, ele nunca pertenceu ao Lula, mas, sim, à OAS”, finalizou.


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