Militantes de esquerda viajam ao Rio de Janeiro para ajudar na campanha de Marcelo Freixo

Angela Boldrini e Luiza Franco – Folha de São Paulo:

Desapontados com os resultados do primeiro turno das eleições municipais, militantes de esquerda de São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná decidiram viajar ao Rio de Janeiro para ajudar na candidatura de Marcelo Freixo (PSOL) no segundo turno.




“É uma obrigação moral da esquerda eleger o Freixo”, afirma o jornalista paulista Francisco Toledo, 25, que decidiu viajar para o Rio um dia após a vitória de João Doria (PSDB) no primeiro turno da eleição na capital paulista.

Professor e deputado estadual, o psolista se opõe ao senador e bispo licenciado da Igreja Universal Marcelo Crivella (PRB). “É uma disputa de ideais de governo”, afirma a gaúcha Maria Melgarejo, 19, que também irá ao Rio para ajudar na campanha. “Um é conservador, religioso, e o outro quer abrir a administração para o povo”, afirma ela.

Em Porto Alegre, onde mora a estudante, o segundo turno será disputado entre Nelson Marchezan (PSDB) e Sebastião Melo (PMDB).

Freixo vem incentivando desde o primeiro turno doações e participações de outras cidades. Na primeira fase da campanha, 25% das doações vieram de fora do Rio. Na segunda, a proporção havia crescido para 31% até a última quinta-feira (6), quando a arrecadação de pessoas físicas chegou a R$ 1 milhão.

Entre as principais cidades doadoras estão São Paulo (SP), Niterói (RJ), Brasília (DF), Salvador (BA), Belo Horizonte (MG), Nova Iguaçú (RJ) e Recife (PE).

A iniciativa tem sido encampada pela base de militantes do PSOL carioca, que organizam iniciativas de “hospedagem solidária” para os colegas de fora. A prática, dizem, é comum quando há eventos grandes, como congressos do partido ou eleições em sindicato, e costuma acontecer de forma espontânea.

Desta vez, foi criado um formulário online para atender a demanda. “O Rio é uma cidade extremamente cara, e queremos possibilitar que essas pessoas venham”, afirma Felipe Mota, 25, responsável pela criação do formulário. Ele diz ter sido procurado por ao menos 30 possíveis anfitriões até a tarde de sexta (7).

Segundo o administrador, a diferença desta campanha para outras é que pessoas não filiadas ao PSOL, como Toledo, têm demonstrado interesse em vir ajudar a eleger o candidato do partido.

INSTITUCIONAL

Além da ajuda espontânea, a campanha carioca deve contar com o apoio do diretório municipal de São Paulo, que planeja enviar reforços, principalmente na reta final.

“Na última semana devemos fazer uma caravana, e o grosso do pessoal deve ir no final de semana do segundo turno”, afirma Márcio Rosa, secretário de comunicação do PSOL de São Paulo.

Segundo ele, deve ser organizado um evento de arrecadação de fundos para bancar a empreitada. Também haverá deslocamento de militantes para Sorocaba (SP) e, em menor escala, Belém (PA), onde candidatos do partido disputam o segundo turno.

Ainda não está claro, porém, se haverá estrutura organizada da campanha carioca para receber os visitantes. “Preciso ter mais informações sobre quantas pessoas virão, a campanha do segundo turno ainda está muito incipiente”, afirma Freixo.

Políticos paulistanos também devem marcar presença no Rio. Entre eles, o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP), vice de Luiza Erundina na eleição paulistana, e o futuro vereador Eduardo Suplicy (PT), que já tem panfletagem confirmada na capital fluminense nesta terça (11).

Para Freixo, a movimentação da esquerda em torno do Rio de Janeiro é natural devido à importância da cidade no cenário nacional. “O Rio de Janeiro é uma caixa de ressonância do Brasil inteiro, para o bem e para o mal. Tem um sentimento grande progressista no Brasil inteiro que quer que a gente vença. Torço para que venham todos”, afirma.

A disputa, no entanto, será difícil: na última pesquisa Datafolha, Crivella lidera com 62% dos votos válidos, contra 38% do deputado estadual.