Michel Temer não passa de um anão, sob todos os aspectos

Comovente o velório das vítimas do vôo do Chapecó, que assisti em três canais diferentes, com o controle remoto da tevê na mão.

Sintonizei na Globo e quando percebi que a narração era de Galvão Bueno, mudei para a Band mas… Eis que me surge Silas Malafaia, em horário locado, para caçar níqueis, afirmando “Deus me deu mandato para conceder bênçãos”.

Mas mandato não é consequência de eleição? Eleição de voto único, o de Deus? Menos, caça rolas, menos, por favor.
Fui à Record, que estava passando desenho.

Voltei para a Globo, até Galvão começar a falar junto com o locutor da cerimônia, traduzindo o que ele dizia, do português para o português.
Tirei.




Na Band, Malafa continuava a caçar dim dim, e a Record passou a transmitir também, com uma moça falando mais que Ana Maria Praga bêbada, descrevendo o que estávamos vendo, como se estivesse desenhando para coxinhas, nas redes sociais.

Voltei para a Globo a tempo de ouvir o Galvão apresentar o governador de Santa Catarina, e era o Prefeito de Chapecó, e toque a falar, a meter um repórter que estava nas arquibancadas, entrevistando populares, enquanto a cerimônia continuava, em diálogo digno de debate entre Tiririca e Paulinho da Força.

Voltei para a Record e a matraca trica continuava a toda, falando mais que Lindbergh diante do Moro, e tentei a Band, aleluia, passou a transmitir também, mas só por pouco tempo, enquanto não entrou o desenho do Pica Pau.

Voltei pra Globo e… Baixinho, rapidamente, como se envergonhado ou com medo de levar uma pedrada, Galvão anunciou a presença do Temer.

Vamos ao ridículo da coisa: na agenda do anão estava que ele iria ao aeroporto, para receber os corpos e assistir a cerimônia militar de homenagem aos mortos, e caiu na asneira de convocar a população de Chapecó e os parentes enlutados, para irem também, o bastante para revoltar um pai: “Temer está pensando que é o quê? Ele acha que nós vamos sair daqui por causa dele? Importante hoje são os nossos filhos, somos nós, o nosso sofrimento. Se ele quer mostrar sentimentos, que tome vergonha na cara (sic) e venha a Chapecó”, logo tendo a adesão de todas as famílias enlutadas.




O vídeo, com a declaração, viralizou nas redes sociais e, para fingir que tem isso na cara, ele alterou a agenda, chegando quase clandestinamente a Chapecó, o que no caso dele não é difícil, grande daquele jeito fica anônimo até em formatura de alunos do jardim da infância.

Não discursou, temendo vaias. Não acenou, temendo vaias, e até na hora da entrega da ordem do Cruzeiro do Sul, comenda federal, que, por protocolo, deve ser entregue pela maior autoridade federal presente, Temer declinou, tem mais medo de vaia que a direita, de eleições.

Veio a execução da marcha fúnebre.

Como é parte de uma ópera, Galvão resolveu declamar.

Aconselho que continue enchendo o saco nos jogos de futebol, só se salva a rima, ele declama e a gente reclama.

Veio a salva de tiros. Fosse no Rio de Janeiro e a polícia responderia aos disparos, mirando na favela mais próxima.

E o minuto de silêncio. Percebendo que não tinha concorrência, que o estádio estava em silêncio absoluto, Galvão danou a falar.

Troquei para a Band, e tinha um maluco falando, na Record a matraca trica a toda, cada emissora tentando fazer de si própria a coisa mais importante na solenidade.

Veio a cerimônia ecumênica e o bispo de Chapecó leu carta do Papa; seguiu-se um pastor, que chamou Cid Moreira, e pensei que era o momento dos espíritas, já que uma secular múmia se materializou no palanque, lendo uma carta aos Efésios, parece-me, deixando-me enfezado.




E Temer quietinho, miudinho no meio das autoridades, decorativo, como afirmou Dilma, desde que não haja cofres e empreiteiros por perto.

Frustrei-me. Pensei que ia ouvir um discurso dele, naquele castiço e bolorento português medieval: condoeu-me nas cardíacas fímbrias este acidente, ceifando-me a vontade de sorrir, mesmo na festa que fiz, com uísque e acepipes, para comemorar a aprovação da PEC-55, poucas horas depois do sinistro que se encerra aqui, graças a Deus sem vaias. Assim é que, aos defuntos, devotar-lhes-ei descanso eterno”, com aquelas ágeis mãozinhas de jogador de pôquer, mágico de circo ou batedor de carteiras.

E Galvão despediu-se, percebeu que o corneteiro estava fazendo o toque de silêncio e gritou para a técnica esperar mais um pouco.

Mudei para a Record. Estava dando o Pica Pau, Fui para a Band, estava transmitindo uma partida de basquete.

Já o Temer… Anão. Na altura, no caráter e na coragem.

Francisco Costa
Rio, 03/12/2016.