Michel Temer deixará o comando do PMDB para deixar Romero Jucá na presidência do partido

Se virar amanhã presidente da República efetivo, Michel Temer vai renunciar ao comando do PMDB. O cargo será exercido pelo senador peemedebista Romero Jucá (RR) até pelo menos março de 2018. Num acordo com Temer, Jucá assumiu desde o início de abril o cargo interinamente com o intuito de blindá-lo na ocasião das críticas de que o vice de Dilma Rousseff articulou o desembarque do partido do governo da petista para derrubá-la do Palácio do Planalto.




À frente do PMDB desde 2001, Temer fora reeleito em março para um novo mandato de presidente partidário em março. Jucá deve assumir o comando do PMDB na próxima semana. O futuro presidente do PMDB ainda nutre esperanças de voltar ao comando do Ministério do Planejamento, cargo que deixou em maio após a divulgação de conversas em que sugere um pacto para tentar deter a Operação Lava Jato.

No fim do ano passado, após um embate público com Temer, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), chegou a articular com aliados o lançamento de uma chapa para disputar contra ele. Os aliados do presidente do Senado reclamavam que Temer teria se aliado ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para patrocinar o impeachment de Dilma, de quem Renan fora aliado, e alijou os senadores do partido da discussão.

Contudo, sob pressão do avanço da Lava Jato, Renan recuou da chapa avulsa para confrontar Temer e fez uma composição partidária, no qual houve uma distribuição de cargos da cúpula entre as várias lideranças peemedebistas. Jucá foi indicado primeiro vice-presidente do partido.

Em conversa com jornalistas na sexta-feira (26), durante as sessões de julgamento do impeachment de Dilma, o presidente do Senado disse que Temer – outrora desafeto dele dentro do PMDB – está conseguindo unir o partido. Questionado se este seria o melhor momento da legenda, Renan respondeu que é o “momento de maior responsabilidade”.

(Ricardo Brito e Carla Araújo – Agência Estado)