Michel Temer ainda não conseguiu garantir os votos necessários para o golpe

Apesar das articulações políticas, o governo Temer não deve conseguir alcançar 62 votos a favor do impeachment, como previsto pela equipe mais próxima ao presidente em exercício. Na última semana para o julgamento, senadores que poderiam mudar o voto demonstram fidelidade à Dilma Rousseff. Para que a presidente seja afastada, entretanto, são necessários 54 votos, marca já superada na votação anterior.

Um dia antes do início do julgamento, o Placar do Estadão registra 48 votos a favor do impeachment de Dilma e 18 contrários. Ainda restam 15 senadores que não querem se manifestar ou se dizem indecisos. Entretanto, a base de Temer não deve converter todos esses votos. 




Na última votação, que decidiu pelo prosseguimento do processo, 59 senadores votaram a favor do impeachment. Nos cálculos da base de Temer, eles deveriam alcançar 62 votos no julgamento de Dilma. O objetivo é conquistar o voto de Otto Alencar (PSD-BA) e Elmano Férrer (PTB-PI), que se posicionaram contra o impeachment, além do voto do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que para defender um discurso de isenção, não tem participado das votações.

O presidente do Senado mantém sua posição. Apesar de ter operado para aprovar matérias de interesse do governo Temer, ele ainda mantém suspense sobre se irá ou não participar da votação do impeachment, e também sobre qual seria seu posicionamento. Por muito tempo, o peemedebista foi aliado de Dilma e trabalhou para conter o processo de afastamento. Seu voto é simbólico para o governo e colegas do PMDB, que querem tornar público o apoio do presidente do Senado a Michel Temer, um desafeto histórico.

Elmano Férrer e Otto Alencar não revelam publicamente seus votos, mas dizem a interlocutores que vão permanecer com Dilma. Ambos votaram contra o prosseguimento do impeachment nas duas votações anteriores.

Elmano sempre esteve com os aliados da presidente e não acredita nas acusações de crime de responsabilidade que recaem sobre Dilma Rousseff. Otto, que teve a oportunidade de discursar em evento de Michel Temer no Palácio do Planalto, não afirma ter nenhum compromisso com o presidente em exercício. Ele é aliado local do governador da Bahia, Rui Costa do PT, e também apoia a candidatura do PCdoB para a prefeitura de Salvador. O senador teria dito a interlocutores que não será fácil para Temer superar 60 votos pelo impeachment. 

BANCADA DO MARANHÃO

Os três senadores que compõem a bancada do Maranhão no Senado também preferem não revelar votos e foram assediados por ambos os lados nessa semana. Enquanto Dilma teria investido na reorganização de coligações locais do PT para agradar os senadores nas eleições municipais, Temer chamou a bancada para apoiar um projeto de grande interesse para os parlamentares, a criação de uma zona de exportação no Porto do Itaqui, em São Luís. 

Dos três senadores maranhenses, Edison Lobão (PMDB) foi ministro de Dilma, Roberto Rocha (PSB) é aliado do PT e PCdoB localmente e João Alberto Souza (PMDB) era abertamente contra o impeachment. Todos os senadores votaram a favor do afastamento de Dilma na última fase do processo.

(Estado de São Paulo)