Miriam Galvani: Michel Miguel, a Justiça, os tolos e o Poder

“Pela primeira vez na História do País estamos punindo poderosos, diz promotor”. Será?

Acabo de ler uma matéria com este título.

Estamos punindo poderosos?

Quais os poderosos estamos punindo?

Os mais ricos do País que sonegaram mais de 15 bilhões de reais contabilizados até 2015?

A Samarco, que destruiu Mariana e tudo o que havia em volta, até chegar ao oceano, no maior desastre ambiental que se tem noticia, na historia, no Pais?




Quais poderosos estamos punindo?

Os que carregavam 500kg de pasta de cocaína dentro de um helicóptero?

Ou então quem constrói aeroportos dentro de propriedades privadas, com dinheiro público?

Quais poderosos estamos punindo?

Os que descumpriram a Lei de Responsabilidade Fiscal ou aqueles que sumiram com a merenda das escolas de São Paulo?

Quais poderosos estamos punindo?

Aqueles condenados a CINCO ANOS de prisão por portar DESINFETANTE na mochila ou as milhares de árvores cortadas todos os anos na Amazônia?

Enfim, haverá pacote de medidas anti corrupção?

Já estão implantadas essas medidas?

Mas…a corrupção não era fruto de um Governo Federal corroído pela falta de ética?

Não bastaria a retirada desse Governo para que tudo o mais, como que por milagre, desaparecesse?

Como, então, estão prestes a anistiar o “caixa 2”?




Voltando ao começo, quais poderosos estamos punindo?

Desconfio que, em um futuro muito próximo, muitos juízes e promotores, federais e estaduais, vão acordar do transe em que se encontram e, chocados, perceberão que foram meras marionetes no grande jogo de interesses, onde quem vence sempre é o poder econômico. Quando esses incansáveis cidadãos, que, hipnotizados, acreditam fazer Justiça perceberem, já estarão sendo descartados pelo Poder Econômico, como Michel Miguel praticamente já o foi.

Sobrarão as amarguras, pois poderoso algum quer uma Justiça rápida e eficaz. No presente momento estão ludibriado os tolos, a mostrar-lhes o circo, malandramente montado.

Ai de quem viver. Porque verá.

Miriam Galvani, advogada militante em São Paulo e Minas Gerais, procuradora do município de São Sebastião do Paraíso-MG, especializada em processo penal, ambiental e direito do consumidor.


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