MBL dá calote em seus financiadores, dentre eles, ‘coxinhas’ e empresários

Democratize – Uma vez aclamados como um dos principais protagonistas do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, hoje a moral do Movimento Brasil Livre não é das melhores — nem com os próprios seguidores.

A baixa adesão ao protesto marcado para o domingo (31), para boa parte dos movimentos anti-Dilma, tem um culpado: o próprio MBL.

Inicialmente, assim como o Vem pra Rua e Revoltados Online, o grupo liderado por Kim Kataguiri iria participar ativamente da manifestação em São Paulo e em outras capitais do Brasil. Como fez nas ocasiões anteriores, o grupo pediu doações para seus seguidores, com o objetivo de tornar possível o “espetáculo” por trás das manifestações a favor do impeachment de Dilma.

Os seguidores doaram. O grupo, como sempre se negou a fazer desde 2015, não fez prestação de contas, não especificando o quanto recebeu de seus seguidores e nem quem fez as doações.

Porém, a história começa a ficar ainda mais complicada quando o MBL decide cancelar sua participação na manifestação. O motivo, segundo eles, é que a votação do impeachment deve demorar mais um tempo — e por isso seria mais sensato realizar uma manifestação no dia 21 de agosto. Na realidade, o motivo foi outro: o MBL já sabia que a adesão seria baixa, e não queria pagar mico.

De fato, o protesto gerou pouca repercussão, além de contar com menos de 1/4 do que geralmente comparece — foram 30 mil pessoas, metade dos manifestantes que compareceram no ato contra Michel Temer, na mesma data, mas no Largo da Batata em São Paulo.

Mas dinheiro foi envolvido no negócio. Seguidores investiram no MBL, e não tiveram o menor retorno. A partir dai, a revolta na página do Facebook foi generalizada.

O Democratize entrou em contato com um dos seguidores que comentou acima, que afirmou ter doado cerca de R$100 para o grupo realizar a manifestação em São Paulo neste domingo, 31.

Segundo o seguidor, o site de financiamento coletivo Kickante não entrou em contato até agora, dias depois do cancelamento da manifestação. “Eles falaram que seria um retorno automático, que não teríamos de nos preocupar, não iriam retirar o dinheiro. Mentira, depois de 5 dias sem retorno, entrei no site e o que estava escrito na descrição era completamente diferente”, disse o seguidor.

No site, a campanha se dá por “encerrada”, alcançando R$11.074,00, com 97 doações. Na descrição, o grupo diz que alterou a data do protesto para mais perto da nova data da votação do impeachment. E termina: “Caso você deseje cancelar a sua contribuição, pode fazer pelo suporte do Kickante. Caso não consiga pelo próprio Kickante, envie um e-mail para falecom@mbl.org.br que te ressarciremos”.

Entramos em contato com o site Kickante, que informou que a campanha “se deu por encerrada”, mas “bem-sucedida, pelo fato de ter sido uma campanha flexível”. Ou seja, como atingiu mais de 50%, o dinheiro foi encaminhado para o Movimento Brasil Livre — e não encaminhado de volta para quem fez as doações, como explicava o post na página do Facebook.

Segundo o Kickante, “até o momento ninguém quem realizou as doações entrou em contato para cancelamento” — o que seria, de fato, burocrático. Para o rapaz que fez a doação de R$100 para o ato do MBL neste domingo, isso não ocorreu por conta do movimento não ter especificado: “Eles não avisaram que nós deveríamos entrar em contato com o Kickante. Se você ler o post, vai pensar que o dinheiro vai voltar pra você automaticamente. Mas não, o dinheiro tá com eles”.

Entramos em contato com o MBL por e-mail, mas não obtivemos retorno.


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