Marcos Valério vai admitir que fraudou dados bancários para ajudar Aécio

Jornal GGN O senador Aécio Neves (PSDB) foi beneficiado por uma “maquiagem” feita no Banco Rural na época em que comandava o governo de Minas Gerais. Segundo informações do Valor, nesta terça (19), o empresário Marcos Valério pretende entregar provas disto no acordo de delação premiada que negocia com o Ministério Público do Estado.

O MP mineiro aguarda a Procuradoria-geral da República, comandada por Rodrigo Janot, dizer se tem interesse em parte do que Marcos Valério tem a dizer.

De acordo com o jornal, Valério admitiu que participou diretamente da adulteração de dados no Banco Rural, que teria servido à proteção, também, do ex-vice-governador Clésio Andrade.

Condenado a 37 anos de prisão no mensalão do PT, Valério decidiu propor um acordo de delação premiada para reduzir sua pena e ter outros benefícios, entregando o que sabe sobre o chamado mensalão tucano.

A iniciativa ocorreu após o senador Delcídio do Amaral dizer à força-tarefa da Lava Jato que a fraude no Banco Rural foi feita para não comprometer Aécio, Clésio, a Assembleia Legislativa de Minas e o próprio Valério. A delação do empresário, portanto, acrescenta detalhes ao que foi dito por Delcídio.

De acordo com o Valor, fontes próximas a Valério garantem que ele vai dizer que foi ordenado a fazer pessoalmente a maquiagem em dados do banco antes de remetê-las a Brasília. “As duas fontes ouvidas pelo Valor não quiseram informar a quem Valério pretende atribuir a ordem para realizar o suposto serviço.”

A PGR já pediu ao Supremo Tribunal Federal a abertura de um inquérito para investigar o papel de Aécio na CPI dos Correios. Gilmar Mendes foi sorteado para o caso, e determinou, em junho passado, que os arquivos da CPI fossem totalmente lacrados.

Em nota, a assessoria de Aécio disse que “qualquer vinculação do nome do senador a fatos indevidos ocorridos no âmbito da CPI dos Correios é absurda”.