Marcelo Crivella coage esposa de Amarildo na campanha; ‘homem de Deus’

A viúva do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, Elizabeth Gomes da Silva, registrou queixa na polícia contra a campanha de Marcelo Crivella, candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro pelo PRB, por constrangimento. O caso foi anotado na 11ª DP (Rocinha) nesta quinta-feira (27).

A informação foi divulgada inicialmente pela coluna de Ancelmo Gois, do jornal “O Globo”. Segundo o texto, ela, que seria dependente química, teria sido induzida a beber e depois gravar uma entrevista em vídeo para a campanha de Crivella.

No vídeo, ela acusaria o adversário do bispo, Marcelo Freixo (PSOL), de ficar com parte do valor da campanha “Somos Todos Amarildo”. Com o projeto, Elizabeth comprou uma casa para a família após a morte do marido. Freixo diz, em nota, que a família de Amarildo sempre soube que parte do valor iria para organizações de direitos humanos.

O advogado da família, João Tancredo, disse que a viúva de Amarildo é usuária de drogas e gravou o vídeo após receber dinheiro para comprar cocaína. A campanha de Crivella diz que foi procurada espontaneamente para ouvir uma denúncia.




“Ela foi procurada tarde da noite na casa por uma quantidade de 12 a 15 homens que insinuavam que o advogado [o próprio Tancredo] e Marcelo Freixo tinham ficado com o dinheiro da campanha chamada ‘Somos Todos Amarildo’. Sendo que a família sabe que parte era para compra da casa e parte para um projeto sobre outros desaparecidos no Rio de Janeiro”, afirma o advogado.

Beth também garante que foi surpreendida em casa pela chegada do grupo que trabalha para Crivella. “Eu não procurei esse povo. Eles vieram falar para mim que iam fazer a filmagem da minha casa para o Crivella ganhar [a eleição], arrumar minha casa e arrumar um dinheiro para mim durante quatro anos”, diz Beth.

Após a morte de Amarildo, assassinado em julho de 2013 por policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha, onde vivia, Freixo participou de uma campanha que arrecadou dinheiro para comprar uma casa para Elizabeth e seus filhos.

 Segundo Tancredo, os homens se disseram funcionários da campanha de Crivella e teriam dado R$ 190 a Elizabeth, que teria comprado droga com o dinheiro. Depois de gravar o material, eles teriam dado mais R$ 100 e dito que ela seria recompensada.

Tancredo disse que o caso é uma “perversidade” por “aproveitar” a fragilidade da família. O advogado disse também que vai tentar impedir judicialmente que as imagens sejam utilizadas na propaganda eleitoral. “Tenho plena compressão se ela tenha dito qualquer coisa em que não acredita. Vamos solicitar as gravações e buscar a não-divulgação das imagens”.

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