Malu Aires: ‘Quem para por direitos, para por todos os direitos que sucumbiram com o golpe’

Em 2014, não faltou candidato vendendo essa porqueira de plano pra fazer o povo brasileiro bancar com o fim de todos os seus direitos, lucros pros bancos, lucros pros rentistas, monopólio pras empresas estrangeiras no Brasil.

As propostas apresentadas pelos demais candidatos foram humilhadas nas urnas. O povo brasileiro, numa democracia, sabe escolher muito bem o seu destino.

Marina Silva, patrocinada pelo Itaú queria do Banco Central, uma central de negócios pros banqueiros. Com o patrocínio do setor que mais emprega mão-de-obra escrava, o do álcool, queria o fim da Petrobras. No 1º turno, foi convidada pelo povo brasileiro a se retirar da disputa, junto com as demais caricaturas da tropa “Todos contra Dilma”.




O serviço vergonhoso de empurrar um 2º turno no Brasil, aumentando a temperatura do país já mergulhada num ódio injustificável, foi cumprido por todos os candidatos do 1º turno.

Feito o serviço, Marina solta os cabelos pro Aécio, Fidelix, Eduardo Jorge e Everaldo começam a panfletar pro Aécio e Luciana Genro, depois de dizer que Aécio é igual Dilma, sobe no murinho e vai assistir a desgrama.

O povo brasileiro, dividido, tinha agora duas escolhas: Dilma e a manutenção de todo o programa para o Brasil, elogiado no mundo todo e Aécio, o cara que jurava de pé junto que não implantaria no nosso país essa tristeza toda que vemos hoje.

Quem votou no Aécio, bom conhecedor que é do jeito PSDB de governar para afundar o nosso país, também defendia o fim da CLT, o desmonte do ensino público, da saúde pública, o encerramento de todos os projetos sociais, tecnológicos, científicos, o esquartejamento da Petrobras, a venda de todo o Brasil e a escravidão do povo brasileiro.
PERDERAM!

Não adiantou mentir, não adiantou ter as estrelas todas da CBF lhe fazendo campanha, não adiantou ter a mídia suja toda ao seu lado, não adiantou a boca de urna, os boatos de Youssef assassinado, os trogloditas que eles contrataram para agredir eleitores de Dilma nas ruas… O projeto de Brasil-Colônia não teve votos suficientes e o povo brasileiro escolheu MAIS DIREITOS, mais 4 anos de governo do povo para o povo, do trabalhador para o trabalhador, dos jovens para o futuro.

E o que aconteceu em seguida, deixou o mundo constrangido.

Mídia, setores empresariais sonegadores, políticos corruptos desde a ditadura, banqueiros, rentistas internacionais, não aceitando o resultado das urnas que mandava claro recado pra estes “NUNCA MAIS SEREMOS ESCRAVOS DE VOCÊS”, fizeram uma vaquinha, compraram todo um Congresso, todo um Senado e depuseram da forma mais descabida possível, o projeto de país que 54,5 milhões de votos elegeram. Na marra, na caradura, sem qualquer economia de escárnio contra nossas leis e nossa constituição.




Em 31 de agosto de 2016, quem lutou contra o golpe?

A OAB endossou o golpe.

Funcionários das instituições de justiça, das instituições de ensino, das instituições de saúde, comemoravam o saldo do crime contra a soberania do voto popular.

Movimentos e sindicatos se calaram como que se esperassem coisa diferente disso, um ano depois.

A gente aqui gritou, berrou, pediu reação e o que fizeram? Disseram pra gente virar a página e aceitar essa marmelada toda que vemos hoje.

Mais do que sabido no que este golpe iria dar, desde 2014 avisávamos: “Se a direita levar nas urnas, o povo brasileiro levará no lombo”. A direita levou no dolo e o couro do povo brasileiro, um ano após o golpe, não tem mais sangue pra escorrer.
Quem esperou, por um ano, resultado diferente desse?

A nossa mídia ordinária, a cada dia mais nojenta, nossas instituições corruptas, a cada dia mais corruptas, nossos “nobres” congressistas nos roubando tudo em plena luz do dia…

Quem esperava coisa diferente?

O povo brasileiro, melhor que ninguém hoje, sabe bem no que isso tudo vai dar. E não adianta vir deformador de opinião sabido, gritando “Fora, Temer” em época boa pra esse regime de barbárie ser eleito por escolha indireta desse Congresso nefasto.

O povo brasileiro sabia em 2014, em 2015, em 2016 e sabe hoje que não há saída pro Brasil, nem hoje, nem em 2018. Não é terrorismo. É a mais crua verdade que poucos querem engolir.

Aceitar um Estado de Exceção, acatar o sequestro da democracia de um país, fingir que vai tudo bem num país desgovernado pelo golpe, vai ter um preço que nem a maior greve do planeta vai conseguir reverter.




Amanhã, dia 28 de abril, o Brasil vai parar. A grande maioria das pessoas pretende parar por DINHEIRO.

Quem para por DIREITOS, para por todos os direitos que sucumbiram com o golpe. Para contra o golpe.

Eu paro contra a manobra política-midiática espúria que desrespeita nosso direito à soberania, nosso direito ao trabalho digno, nosso direito à moradia, nosso direito ao ensino público de qualidade financiado com royalties do nosso pré-sal, nosso direito à saúde de qualidade financiada com royalties do nosso pré-sal, nosso direito às nossas reservas energéticas, minerais, nosso direito ao acesso às nossas águas, aos nossos rios, aos nossos minérios, às nossas riquezas, direito às nossas terras, ao plantio sem veneno, direito à infraestrutura digna ao tamanho do nosso país, direito ao VOTO RESPEITADO.

Comigo não tem conversinha mole. Paro pela anulação do impeachment. E que este seja o desejo sincero de quem para amanhã para pôr fim à essa maracutaia toda.

Malu Aires, compositora e intérprete.
Foto: Andréa Maia