Mais de 50 mil pessoas tomam as ruas de São Paulo pelo ‘Fora Temer’

A frente “Povo Sem Medo” reúne centenas de manifestantes no Largo da Batata, zona oeste de São Paulo, na tarde deste domingo. Liderados por Guilherme Boulos, do Movimento dos Sem Teto (MTST), eles pedem a volta de Dilma Rousseff ao poder e a realização de um plebiscito popular por novas eleições.

O instrumento de consulta popular não está previsto na Constituição e, por isso, precisaria de aprovação de uma emenda parlamentar no Congresso. O problema é que o grupo é crítico dos políticos que compõem a Câmara dos Deputados e Senado, e os acusa de golpe contra Dilma Rousseff e o PT.

Neste domingo, Boulos disse à reportagem reconhecer a dificuldade de aprovação do plebiscito, mas afirma que insistirá com essa bandeira. “Não conto com esse Congresso, mas o papel dos movimentos sociais é apontar saída para a crise”, disse. “Se depender desse Congresso, em dois anos o país volta à monarquia”, ironizou.

A frente liderada por Boulos é composta por 35 movimentos sociais. A expectativa dos organizadores é que a manifestação deste domingo reúna entre 35 mil e 40 mil pessoas. Por volta de 15h, a decisão era caminhar até o bairro de Alto de Pinheiros, onde o presidente interino, Michel Temer, tem casa em São Paulo.

Além da defesa de Dilma e saída de Michel Temer, Boulos diz que os movimentos são contrários a uma agenda “conservadora” defendida pelo interino. “Não sou eu que estou dizendo, eles mesmos dizem que querem a reforma trabalhista e previdenciária e o teto de gastos, que significará reduzir gastos para saúde e educação”, disse Boulos.

Segundo ele, entre todos os movimentos sociais, é unanimidade a oposição à reforma da previdência. Segurando um cartaz em que dizia: “Não à reforma da previdência”, moradores do acampamento Rosa Luxemburgo, Santo André, não sabiam do que se tratava a queixa.

“Eu acho que fala de conquistas do povo, que foram duras de alcançar, e que não podem chegar lá e dizer que não tem condições de honrar”, disse Evelin Munhoz, 37, professora. Ela diz que participava da manifestação sem um interesse político. “Nossa pauta é social, por moradia. Nem a favor de um governo, nem contra outro”.

A professora Patrícia Abranches, 33, também moradora do Rosa Luxemburgo, disse que Temer é “contra os pobres”. “Ele não trabalha pelos pobres”, disse ela. “Só consegui entrar na faculdade no governo do Lula e graças ao meu esforço eu tenho pós-graduação hoje”.

Patrícia acha que Dilma deve voltar e ter a “oportunidade de corrigir seus erros”, que segundo ela foram ter sido “conivente com algumas atitudes, corrupção”. “Se ela conseguir colocar as coisas no eixo, deve ficar. Se não, eu sou a favor de novas eleições”.

(Folhapress)


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