Luciana Oliveira: A nossa pátria mãe gentil com quem tem dinheiro ou poder

A semana começou agitada com fatos graves no noticiário nacional.

O PSDB anunciou que segue agarrado a Michel Temer como torniquete pra estancar a rejeição às reformas que praticamente toda a população rejeita.




O senador afastado Aécio Neves, não está afastado. Segue com o nome no painel de votação do senado e com as garantias que o cargo confere.

A irmã, o primo e o assessor de um senador amigo íntimo estão presos, investigados por intermediação e transporte de propina de 2 milhões de reais da JBS para bancar a defesa de Aécio Neves.

O juiz Sérgio Moro absolveu Adriana Ancelmo, mulher do ex-governador Sérgio Cabral, colecionadora de joias caríssimas, das acusações de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por falta de provas.

Tudo isso, no entanto, repercutiu bem menos que a denúncia da jornalista Miriam Leitão sobre uma suposta agressão sofrida num voo.




O fato teria ocorrido há 10 dias e até o momento não há provas de que ocorreu como relatado pela jornalista, por angustiantes duas horas.

Há relatos que a desmentem, mas são como o dela, apenas relatos.

Que esse tipo de protesto, sobretudo dentro de uma aeronave é algo condenável, muitos denunciam faz tempo e com provas inequívocas. Não só em voos, mas em restaurantes, velórios, hospitais, em portas de casas de investigados.

É inaceitável, mas Miriam não pode imitar Andrea Neves alegando não saber de onde vem tanto ódio e há quanto tempo isso acontece.

Seria mais honesto reconhecer que a intolerância por posições ideológicas fez dela mais uma vítima, não ‘a’ vítima.

Há menos de um ano, ano no auge da campanha que o PSDB venceu em Porto Velho, capital de Rondônia, denunciei uma ameaça de morte no meu blog.

Publiquei a mensagem ameaçadora que havia recebido de um grupo de WhatsApp, preservando os que participaram do diálogo em que o atual prefeito e uma deputada federal tucanos eram citados.

Se eu não parasse de criticá-los iriam ‘fechar meu bico’.

Como não sou Miriam Leitão, nem jornalista de um grande veículo de comunicação, minha denúncia foi completamente ignorada.

A mensagem original com nomes de quem participou da conversa foi encaminhada a órgãos de segurança, para quem sabe, se ‘fecharem meu bico’, deem atenção ao que denunciei.

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Depois denunciei uma abordagem intimidadora de militantes tucanos, entre eles militares, quando fazia compras no mercado com meu filho.

Também publiquei um artigo sobre o apelo do vice-presidente do PSDB em Porto Velho ao extermínio da esquerda. Ele pedia “justiça x faxina” numa publicação no facebook para “extirpar de vez todos os vermes esquerdopatas, petistas e políticos tradicionais da pior espécie.”

Ninguém deu a mínima e o vice-presidente do PSDB virou chefe de gabinete do prefeito.

Queria ter usufruído da solidariedade que jornalistas da minha aldeia ofertam à Miriam Leitão, mas não esperei por isso.

Só o Brasil 247 registrou tudo que denunciei, pelo que, agradeço.

Mais que o lastro profissional e o poder de fogo na imprensa, o que me diferencia da jornalista global é que não esperei ser vítima para condenar agressões motivadas por ódio partidário.

Faço isso desde que colunistas da direita classificaram os eleitores de esquerda como petralhas, mortadelas, militontos, esquerdopatas e bovinos, potencializando protestos insanos.

Se Miriam se sentiu ofendida e ameaçada só agora por deixar claro seu posicionamento político do golpe ao caos, sinceramente, tem mais sorte que eu e muitos.
Eduardo Guimarães que foi levado coercitivamente a depor, teve sua casa vasculhada e perdeu dinheiro com seu blog, que o diga.

Não é com hipocrisia que o pais vai superar essa onda de intolerância partidária.
Muito menos com oportunismo tardio.

Ninguém deve ser abordado agressivamente com protestos por expressar sua opinião.

E a compreensão de que isso é abominável, que motiva solidariedade coletiva nas redes sociais e na imprensa, não deve ser um privilégio de quem tem poder de fogo ou dinheiro.