Luciana Genro também recebeu caixa 2, afirma delator

A petroquímica Braskem doou um total de R$ 480 milhões em forma de caixa 2 a campanhas eleitorais de políticos brasileiros entre 2006 e 2014, segundo contou Pedro Novis, ex-presidente do grupo Odebrecht, em depoimento ao Ministério Público. O relato faz parte do seu acordo de colaboração premiada no âmbito das investigações da operação Lava-Jato.

Entre os beneficiados pelas contribuições, havia, principalmente, candidatos dos Estados do Rio Grande do Sul e da Bahia, onde a Braskem possui importantes unidades produtoras.




“O critério era a expectativa de atendimento de certos programas que eram importantes para a empresa naqueles Estados”, relatou o executivo. “O objetivo de uma doação desse tipo, que tem um caráter mais geral, é gerar a aproximação que depois permita que esse pedido se materialize.”

Além de leis na área fiscal, projetos de infraestrutura, como a construção e o reparo de rodovias perto dos polos industriais da petroquímica, também estavam no foco da empresa.

No Rio Grande do Sul, receberam doações via caixa 2, de acordo com Novis, os candidatos a governador Germano Rigotto (PMDB-RS) — nos pleitos de 2002 e 2006 — e Yeda Crusius (PSDB-RS) — em 2006 –, além dos deputados federais Luciana Genro (PSOL-RS), Pepe Vargas (PT-RS) e Marco Maia (PT-RS) nesse mesmo ano. Novis disse não se lembrar dos montantes repassados extra-oficialmente a tais políticos.

Crusius ajudou a Braskem fazendo o pagamento à empresa de créditos de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) a que a petroquímica tinha direito e estavam atrasados, disse o executivo.

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