Lista de Fachin é uma cortina de fumaça para inviabilizar Lula em 2018

A grande mídia tem utilizado como estratégia os vazamentos seletivos das delações dos executivos da construtora Odebrecht presentes na lista do Ministro do STF Edson Fachin para destruir a imagem do ex-Presidente Lula e o inviabilizá-lo nas eleições presidenciais em 2018, em que até o momento aparece líder em todas as pesquisas e em todos os cenários.

Em recente entrevista o Juiz Sérgio Moro diz não ter conhecimento de quem seria a pessoa  que vazava as informações que corriam em sigilo de Justiça. Alegou também, que não conseguiria investigar quem estava vazando informações, uma vez que elas estão protegidas sob o sigilo de fonte.




Hora! Todos nós jornalistas sabemos que uma vez que se trata do interesse público, a lei de sigilo de fonte pode ser quebrada em contribuição ao interesse social e legal. Uma lei não pode esconder um crime. E sendo a Justiça que investiga, o propósito da investigação deveria ser quem pratica o crime de vazamento seletivo e não o da divulgação da fonte. De qualquer modo o tal juiz se mostrou indiferente com a prática desse crime, uma vez que acredita que os casos são públicos e não vê problemas no julgamento e linchamento midiático, antes da condenação de uma pessoa.

Uma cronometragem da cobertura dos investigados da lista de Fachin no Jornal Nacional na última terça-feira (11) mostra claramente a utilização da lista para destruir a imagem do ex-presidente Lula. Veja abaixo os resultados do tempo de abordagem dado para cada um:

1 – Lula: 7m44s
2 – Aécio:  3m23s
3 – Lindbergh: 3m19s
4 – Dilma: 3m
5 – Alckmin: 2m57s
6 – Padilha: 2m04s
7 – Serra  e Aloysio (juntos): 2m
8 – Renan Calheiros: 1m31s
9 – FHC: 1m28s
10 – Casal Garotinho: 1m20s
11 – Moreira Franco: 1m20s
12 – Collor: 1m19s

Para quem teve acesso a lista de Fachin percebeu que o Governo Temer foi inviabilizado com o núcleo forte do Governo nas delações, incluindo o próprio Temer.

Marcelo Odebrecht e o pai Emilio Odebrecht não são bobos e já perceberam que para se salvarem precisam entregar o ouro para os bandidos e nesse caso o ouro é o Lula, a grande motivação da operação Lava-Jato.




Nesta fase da operação é preciso selecionar figuras centrais de diversos partidos para que o objetivo de inviabilizar Lula em 2018, seja prendendo-o ou cassando seu direito legal a disputa eleitoral se concretize. Dessa forma líderes de diversos partidos serão levados a guilhotina política, como Aécio Neves, Eliseu Padilha e Romero Jucá, entre outros com o objetivo de garantir a impressão de imparcialidade jurídica.

Os número de políticos investigados nas listas desmascara a estratégia de criminalização do Partido dos Trabalhadores. A apresentação incansável de uma imagem em que o PT aparece como campeão de denúncias, com 18, em seguida o PMDB com 17 e o PSDB com 13, constrói a impressão de que o maior problema está localizado no PT.

A Lava-Jato segue o seu roteiro, minuciosamente estratégico, com ampla coordenação no Pentágono, sobre a execução de atores estratégicos no Brasil com um único objetivo: tirar Lula da vida política, ou simplesmente como fizeram com sua mulher, dona Marisa, tirar Lula da vida.

Jean Volpato, jornalista, especialista em gestão estratégia em políticas públicas pela Unicamp.