Leonardo Stoppa e Desmascarando ‘decepam’ Kim Katakokim e dão aula sobre sindicalismo ao MBL

O MBL fez um vídeo nos atacando e tentando ridicularizar o Leonardo Stoppa, em um debate relacionado ao fim do “imposto” sindical. Por questão de justiça, publicamos abaixo a resposta em vídeo do Leonardo. Além disso, gostaríamos de expor a opinião própria do Desmascarando sobre o assunto:

1) Todo esse debate começou por volta de 1850, na revolução industrial inglesa. O modelo econômico era o liberalismo em estado puro (esse que o MBL defende), sem estado intervencionista, sem leis trabalhistas e sem sindicatos. O estado era mínimo, só cuidava basicamente das forças armadas. Quase tudo era desregulamentado e o patrão negociava livremente com o trabalhador.

2) O liberalismo econômico dessa época gerou talvez o maior regime de exploração da história da humanidade. Trabalhadores tinham jornadas de 16 horas diárias, sem finais de semana, sem férias, sem seguro em caso de acidentes de trabalho (que aconteciam com frequência). Moravam em cortiços imundos. Não havia aposentadoria por parte do governo e o trabalho infantil era largamente utilizado nas linhas de produção. Muitos historiadores relatam que até o regime de escravidão proporcionava uma qualidade de vida superior ao trabalhador do que o liberalismo puro. Isso porque na escravidão o escravo é um bem (caro, diga-se de passagem). O senhor de escravos muitas vezes queria aumentar a vida útil de seus “produtos”. Vale sempre lembrar que a morte de um escravo era a perda de uma propriedade. No liberalismo o trabalhador é descartável, se ocorrer a morte não há prejuízo, é só contratar outro e pagar o mesmo salário.




3) A reação das pessoas não demorou a acontecer. O sindicalismo surgiu daí. Por mais dura que seja a realidade, esse “lixo esquerdista” (segundo a visão do MBL) só surgiu porque o liberalismo econômico fracassou. As pessoas não tinham a mínima qualidade de vida.

4) Trazendo o debate para os dias atuais, jamais devemos comparar países com desníveis absurdos de renda per capita (como vocês fizeram comparando Venezuela com EUA). Cachorro grande se compara com cachorro grande. Apesar de ser 25% mais rico, um norte-americano médio vive 5 anos a menos em média do que um italiano. Isso não é uma coincidência, o americano vive estressado, não tem férias remuneradas (o que acaba desincentivando o lazer), tem 20 minutos de almoço. Além disso, 40 milhões de norte-americanos não possuem acesso básico à saúde. Os Estados Unidos ficam longe dos primeiros lugares em educação no PISA (ranking mundial de educação). Curiosamente, a Finlândia, que tem um estado ativo, enorme (consome quase 50% do PIB), está sempre entre os 5 primeiros, as vezes liderando.

5) A qualidade de vida muito superior que os europeus ocidentais desfrutam em relação aos seus pares americanos se deve, sem dúvida alguma, à atuação dos fortíssimos sindicatos. As leis trabalhistas no geral são muito mais rígidas na Europa do que nos EUA. Diga-se de passagem, os americanos estão incomodados, querendo mudanças. A renda da classe média está estagnada desde os anos 80, quando o liberalismo (neo) entrou em alta. A vitória do protecionista Trump mostrou isso, bem como a inédito desempenho de um social democrata como o Bernie Sanders, que venceu as primárias contra a Hillary em 23 estados.

6) Para encerrar, no terceiro mundo a maioria dos países são economicamente liberais. No miserável Haiti basicamente não existem restrições para a contratação da mão de obra, não existem ações ostensivas do estado na economia nem grandes sindicatos atuantes. Na Etiópia e Somália acontece o mesmo. A carga tributária nesses países não chega a 10% do PIB, o estado é quase inexistente, o comércio é livre. Enquanto isso, nos melhores países para se viver no mundo, como a Alemanha e a Suécia, a carga tributária ultrapassa 40% do PIB e o estado é bastante ativo.

7) No geral, a atuação dos sindicatos faz mais bem do que mal. Tirar o imposto sindical só os enfraqueceria, como relata o Leonardo Stoppa no vídeo (baseado inclusive em experiências pessoais).

Via Desmascarando