Lembre-se disso em 2018: Com Temer e PSDB, institutos brasileiros de pesquisa agonizam

A ciência brasileira anda à míngua. Os recursos federais para o setor, que já vinham em trajetória descendente nos últimos anos, deverão ser em 2017 os menores em mais de uma década.




Do orçamento de R$ 6 bilhões proposto no começo do ano, apenas R$ 3,3 bilhões poderão ser usados após o corte de 44% nos recursos de livre aplicação do Ministério da Ciência e Tecnologia (fundido pela gestão Temer com o das Comunicações –tornando-se o MCTIC).

Enquanto o dinheiro foi escasseando, a comunidade científica só fez aumentar. Nos últimos dez anos, o número de pesquisadores em atividades no Brasil mais do que dobrou. Se a ciência nacional fosse um país, seria possível afirmar que, na última década, seu PIB per capita reduziu-se a menos da metade –algo próximo de uma catástrofe.

Embora tenha impacto sobre toda a cadeia –das agências públicas de fomento aos estudantes de pós-graduação, passando pelos pesquisadores–, a penúria financeira tem afetado especialmente as instituições de pesquisa ligadas ao MCTIC.



No fim da última semana, o quase septuagenário Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, sediado no Rio, enviou ao Tribunal de Contas da União um ofício no qual descreve o cenário de quase colapso enfrentado pela instituição.

Segundo o documento, ao qual a Folha teve acesso, “as dificuldades orçamentárias colocaram a instituição em situação de risco operacional”.

“Se nada mudar, eu não terei como pagar em setembro a conta de luz e o salário dos funcionários terceirizados”, disse à reportagem o diretor do CBPF, Ronald Shellard.




Shellard afirma que o instituto está pleiteando recursos para conseguir “literalmente sobreviver” até o final do ano. “Não estamos pedindo nem os R$ 3 milhões necessários para a manutenção dos caros equipamentos da instituição”.

Além do comprometimento das atividades do CBPF, a falta de recursos pode ter impacto direto sobre centenas de instituições públicas do Rio, como universidades, hospitais, agências de fomento e órgãos de Estado, já que o instituto de física abriga o principal nó da internet acadêmica no Rio. “Se cortarem a luz, acaba a conexão de internet das instituições do Rio de Janeiro”, diz o diretor.

Membro do CBPF desde 1994, Shellard diz nunca ter presenciado no centro uma privação de recursos tão grave como a atual.

A situação enfrentada pela instituição carioca se reproduz, em menor ou maior grau, em outros institutos ligados ao MCTIC –todos penalizados com um corte de 44% em seus orçamentos.

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