Kennedy Alencar: Dilma acerta ao ir ao Senado

Blog do Kennedy – A presidente Dilma Rousseff acertou ao decidir comparecer ao Senado para fazer a própria defesa no próximo dia 29. É um ato de coragem, porque vai encontrar um ambiente hostil e no qual os votos já estão decididos. Portanto, ela sabe que será derrotada e que o impeachment será aprovado.

No entanto, quer que essa decisão custe mais caro politicamente ao presidente interino, Michel Temer, que será efetivado, e também aos políticos do PSDB que capitanearam a campanha por sua queda, como o senador Aécio Neves, que perdeu a eleição presidencial de 2014 para ela.

A mensagem de Dilma será clara: o impeachment é um golpe contra uma pessoa inocente. Morrer de pé e lutando reforça essa imagem. Ajuda a presidente a tentar preservar a biografia na batalha pela fotografia histórica do impeachment.

Desse ponto de vista, a ida dela imporá um desgaste ao atual governo e seus aliados. Uma coisa é a defesa ser feita pelo advogado de Dilma, o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo. Outra coisa é a presença da presidente, que dá um caráter histórico ainda maior ao episódio.

A depender do tom dos senadores, ela poderá reforçar a imagem de vítima de uma injustiça. O senador Ronaldo Caiado, líder do DEM, disse o seguinte: “Pode parecer que a presidente está sendo julgada por um decreto ou uma pedalada. Não. Ela vai poder explicar todo esse desastre que o país vive”.

Esse discurso de Caiado é bom para Dilma, porque é a admissão de que a queda dela se deve ao conjunto da obra de um governo ruim e que o impeachment está sendo usado como um instrumento do sistema de governo parlamentarista para derrubá-la.

Se a petista cair pelas razões apontadas por Caiado, isso reforçará a versão histórica de que houve uma interpretação larga da lei do impeachment para se aplicar um golpe parlamentar debaixo das barbas do Supremo Tribunal Federal. Logo, essa linha de debate interessa a Dilma.