Jestor e Jênio: Tinta cinza de Doria é de má qualidade e grafites reaparecem; entenda

Eles foram apagados há menos de três meses, mas já estão de volta. E desta vez não pelas mãos de grafiteiros, mas pela falta de “demãos” da própria prefeitura.

Os grafites da avenida 23 de Maio, na zona sul de São Paulo, que foram quase inteiramente cobertos por uma tinta cinza a mando de João Doria (PSDB) em janeiro, estão ressurgindo aos poucos nos muros da via.





Agora, em diversos pontos entre o parque Ibirapuera e o centro, o revestimento está descascando ou deixando transparecer os desenhos que há pouco tempo estiveram ali.

Para o grafiteiro Mauro Neri, 36, do projeto Veracidade, isso não é novidade. “É o que chamo de grafite reverso, que aparece quando se apaga a tinta, e não quando se pinta.”

O artista foi detido em janeiro, quando lavou o cinza que cobria suas obras –embaixo do complexo viário João Jorge Saad, o Cebolinha– apenas com água e um esfregão, técnica que usa desde 2010.

Isso é possível, segundo ele, porque a tinta utilizada para apagar os grafites e pichações em São Paulo normalmente é composta por uma proporção maior de cal e menor de corante e aglutinante (cola), portanto sai mais facilmente.

“As empresas de limpeza usam essa mistura porque ela vence em pouco tempo, para ganharem mais dinheiro apagando o grafite de novo”, diz.

O grafiteiro e ativista Mundano, 31, também usou só água e esponja para ressuscitar uma obra sua em janeiro, no Largo da Batata (zona oeste), que trazia a frase “São Paulo não é Miami”.

O artista fazia referência ao “grafitódromo” que o tucano quer criar, inspirado em um bairro da cidade americana. “Quando você apenas limpa a sujeira, ela volta. O [programa] Cidade Linda não está focando em soluções reais, mas só numa maquiagem monocromática, cinza”, critica.

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